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5
2012

O que são usinas hidrelétricas “a fio d’água” e quais os custos inerentes à sua construção?

Usinas hidrelétricas “a fio d’água” são aquelas que não dispõem de reservatório de água, ou o têm em dimensões menores do que poderiam ter. Optar pela construção de uma usina “a fio d’água” significa optar por não manter um estoque de água que poderia ser acumulado em uma barragem. Esta foi uma opção adotada para a construção da Usina de Belo Monte e parece ser uma tendência a ser adotada em projetos futuros, em especial aqueles localizados na Amazônia, onde se concentra grande potencial hidrelétrico nacional. Aliás, as usinas Santo Antonio e Jirau, já em construção no rio Madeira, são exemplos dessa tendência.

Quais as consequências e custos inerentes a essa opção? Quais serão os problemas futuros que a decisão de abrir mão de reservatórios com efetiva capacidade de regularização de vazões poderá criar?

Primeiramente, deve-se considerar que a energia “gerada” por uma hidrelétrica resulta da transformação da “força” do movimento da água. Transforma-se, assim, em energia elétrica, a energia cinética decorrente da ação combinada da vazão de um rio e dos desníveis de relevo que ele atravessa. Desse modo, não restam dúvidas de que, para o processo, guardar água significa guardar energia.

Os sistemas de captação e adução levam a água até a casa de força, estrutura na qual são instaladas as turbinas. As turbinas são equipamentos cujo movimento giratório provocado pelo fluxo d’água faz girar o rotor do gerador, fazendo com que o deslocamento do campo magnético produza energia elétrica. O vertedouro, por sua vez, permite a saída do excesso de água do reservatório, quando o nível ultrapassa determinados limites. Outros aspectos e outros equipamentos são, também, importantes, mas, em qualquer caso, estaremos diante de uma busca por queda e vazão – a primeira, fixa, e a segunda, variável.

Nesse processo de transformação, a geração de energia elétrica é limitada pelo produto entre vazão e altura de queda, pois a energia obtida é diretamente proporcional ao resultado dessa conta. A barragem interrompe o curso d’água e forma o reservatório, regulando a vazão. Em uma usina com reservatório, essa variável pode ser controlada pelos administradores da planta. Em uma usina a fio d’água, fica-se refém dos humores da natureza, ainda que com menor dependência que as eólicas. Hidrelétricas com reservatórios próprios são capazes de viabilizar a regularização das vazões. Devido à sua capacidade de armazenamento (em períodos úmidos) e deplecionamento (em períodos secos), elas atenuam a variabilidade das afluências naturais.

Deve-se considerar, também, que esse mesmo efeito pode ser obtido com a construção de usinas “rio acima” – ou “a montante”, conforme o jargão técnico. Hidrelétricas instaladas em um mesmo curso hídrico podem atuar de forma integrada. Usinas localizadas “rio acima” – a montante, no jargão técnico – podem usar seus reservatórios para regular o fluxo de água utilizado pelas usinas localizadas “rio abaixo” – a jusante.

A usina binacional Itaipu, por exemplo, por ser a última rio abaixo – a jusante, no jargão técnico – da Bacia do Rio Paraná, é considerada como a fio d’água. Ocorre que se a gigantesca hidrelétrica pode utilizar toda a água que chega ao reservatório, mantendo apenas uma reserva mínima para garantir a operacionalidade, tal diferencial se deve, direta ou indiretamente, à existência de dezenas de barragens a montante.

O conjunto formado pelos potenciais hidráulicos da margem direita do rio Amazonas é considerado como uma rara e poderosa combinação de queda e vazão nos estudos de inventário hidrológicos de bacias brasileiras. A Volta Grande do Xingu, por exemplo, onde está sendo construída a hidrelétrica Belo Monte, apresenta uma queda de cerca de 90 metros entre dois pontos muito próximos de um rio cuja enorme vazão resulta de um percurso de milhares de quilômetros, iniciado no Planalto Central.

Em geral, usinas a fio d’água têm baixos “fatores de capacidade”. O fator de capacidade é uma grandeza adimensional obtida pela divisão da energia efetivamente gerada ao longo do ano – em geral, medida em MWh/ano – pela energia máxima que poderia ser gerada no sistema.[1] Trata-se, portanto, de uma medida da limitação da usina no que diz respeito à sua capacidade de gerar energia.

Na Europa, esse fator situa-se entre 20% e 35%, em média, sendo um pouco maior na China e chegando a valores próximos a 45% nos EUA[2]. Em média, as hidrelétricas brasileiras têm fator de capacidade estimado em valores situados entre 50% e 55%. A regularização de vazões por meio do uso de reservatórios faz com que essa média suba significativamente, embora essa não seja, em muitos casos, a única responsável por isso. No rio São Francisco, por exemplo, esse número para Sobradinho é 51%, e para Xingó, mais a jusante, é 68%. No rio Madeira, a usina Jirau tem fator de capacidade próximo de 58%, e o número para a usina Santo Antônio é de 68%. Não por acaso, a vantagem relativa de Santo Antonio guarda forte correspondência com o fato de ser um projeto situado a jusante de Jirau. Pelas razões já apontadas, é possível compreender o magnífico número de 83% para Itaipu.

No caso de Belo Monte a potência total instalada é de 11.233,1 MW e a geração anual média é de 4.571 MW, o que resulta em um fator de capacidade pouco maior do que 40%. Esse tem sido um dos pontos mais criticados pelos opositores ao empreendimento, que afirmam que a usina irá “gerar pouca energia”. Mas os argumentos utilizados, em geral, não levam em consideração dois pontos essenciais: os valores médios do fator de capacidade das hidrelétricas brasileiras e a principal razão pela qual o projeto de Belo Monte teve esse valor diminuído.

Ainda que se considerasse Belo Monte como um projeto com fator de capacidade muito distante das médias das usinas brasileiras, deve-se levar em conta que o mesmo não ocorreria ao se compará-lo com aqueles situados na Amazônia e com as de outros países. Em Tucuruí, por exemplo, no rio Tocantins – diga-se de passagem, dispondo da regularização de usinas a montante –, esse valor é de aproximadamente 49%.

O reservatório projetado para Belo Monte foi diminuído, bem como inviabilizada a capacidade de regularização das vazões afluentes às suas barragens, em razão de argumentos de natureza ambiental.  Além disso, houve a decisão de se elaborar um hidrograma denominado “de consenso”, com o objetivo de garantir que, a jusante do barramento, fossem asseguradas boas condições de pesca e de navegação às comunidades indígenas, entre outros aspectos.

Evidentemente, regularizar ou não a vazão de um curso d’água é uma decisão que, necessariamente, deve incorporar a dimensão ambiental – numa escolha entre alternativas que devem ficar absolutamente claras para a sociedade. Entretanto, essa decisão vem sendo tomada sem o necessário amadurecimento, sem uma discussão ampliada, baseada em estudos objetivos dos benefícios e custos associados a tal escolha, com um exagerado receio de desagradar a grupos de pressão específicos e visando a uma boa imagem do governo na mídia.

Aliás, justamente nos diversos meios de comunicação é possível encontrar os maiores disparates sobre o assunto. Nas informações divulgadas nesses meios há boas doses de lirismo, relacionado com a eventual substituição dos projetos de hidrelétricas, nomeadamente aqueles que preveem grandes reservatórios, em benefício de outras formas de transformação de energia – como as eólicas, por exemplo.

Informações de baixa qualidade técnica, inclusive relacionadas à possibilidade de substituição de energia hidrelétrica por eólica, encontram eco entre os mais diversos operadores do direito e resulta em uma posição defensiva dos técnicos governamentais, tanto da área de energia quanto da área ambiental. Alguns dos argumentos mais utilizados nessa judicialização calcada na subjetividade são fundamentados no chamado “Princípio da Precaução”, que pode ser definido como de natureza filosófica, política, doutrinária, religiosa ou ideológica – mas, jamais como de natureza científica.

O Princípio da Precaução é, essencialmente, um preceito que, se aplicado ao pé da letra, inviabilizaria o desenvolvimento, justificando a inação diante da ameaça de danos sérios ao ambiente, mesmo sem que existam provas científicas que estabeleçam um nexo causal entre uma atividade e os seus efeitos. Impõem-se, nesses casos, todas as medidas necessárias para impedir tal ocorrência.

Pode-se dizer que há em tal raciocínio uma quase paródia do pensamento de Leibniz, pois em vez de se supor que nada acontece sem que haja uma causa ou razão determinante, a mera suposição causal (de um dano ambiental, nesse caso) determina que nada deva acontecer.

Como acreditar que seja possível definir ameaça de danos sérios ao ambiente sem uma abordagem científica? Como definir ameaça, danos e sérios sem recorrer à ciência? Lamentavelmente, muitos atores políticos e operadores do direito crêem ser capazes de fazê-lo. No mundo real, a adoção rigorosa do princípio da precaução implicaria fechar todos os laboratórios científicos mundo afora. No Brasil, atualmente, sua aplicação faz com que um empreendedor tenha que provar que as intervenções previstas não trarão impactos, mitigáveis ou não, ao meio considerado, o que é virtualmente impossível.

A militância radical, sustentada no Princípio da Precaução, está se utilizando de um raciocínio de mão única. A usina a fio d’água desperdiça a chance de se guardar energia da forma mais barata e da única forma que permite múltiplas utilizações da água armazenada como a criação de peixes, o turismo e a contenção de cheias, por exemplo.

Em um pensamento predominantemente ideológico não há espaço para que sejam debatidas questões fundamentais acerca da opção única por usinas “a fio d’água” ou com reservatórios subdimensionados. Em primeiro lugar, deve-se considerar que o desperdício de capacidade produtiva de energia a montante da usina a fio d´água é praticamente irreversível. Em segundo lugar, a decisão por um caminho praticamente sem volta foi tomada sem o devido e necessário debate técnico e político acerca de um tema que afetará as próximas gerações. Não seria este o caso de se utilizar o princípio da precaução, evitando-se tomar uma decisão irreversível e de provável impacto ambiental negativo, visto que será necessário, no futuro, recorrer a fontes mais poluentes de energia para substituir a capacidade hidrelétrica desperdiçada?

No Brasil, a capacidade de armazenamento de energia em reservatórios é intensamente beneficiada pela diversidade de ciclos pluviométricos das bacias brasileiras, um diferencial notável em relação a outros países. A otimização desses reservatórios passa pelas linhas de transmissão, que, na prática, funcionam como vasos comunicantes, transportando, em vez de água, energia de uma bacia hidrográfica que esteja em um momento de abundância de água, para outra, onde haja necessidade de se economizar água escassa. Desse modo, Belo Monte não pode ser entendida como uma usina isolada e, sim, como virtuosa e hidricamente intercomunicada – por ser interligada eletricamente – com o resto do País. Uma vez que o rio Xingu tem suas cheias quase dois meses depois das cheias dos rios das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, a possibilidade de armazenamento em Belo Monte diminuirá fortemente os riscos de carência de energia – no jargão técnico, o risco de déficit.

Os estudos de um projeto hidrelétrico incluem a análise do comportamento das estruturas, simulando a passagem de uma vazão superior a cheia decamilenar, ou seja, uma cheia de tempo de retorno de 10.000 anos. É tranquilizador saber que a margem de segurança de uma barragem é tão significativa. Todavia, esse cálculo não guarda qualquer relação com a segurança de vazões suficientes para fazer frente à influência da economia sobre a demanda por energia. Nesse caso, utilizam-se os cenários econômicos para estimar a demanda.

Como a matriz de geração elétrica no Brasil há forte predominância hidrotérmica, os cenários começam a sinalizar a crescente necessidade de uso de energia de fonte térmica, mais cara e mais poluidora que a hidrelétrica.

E o pior: “ovos de Colombo”, como a repotenciação e a modernização de hidrelétricas, ainda que totalmente defensáveis, não são processos capazes de garantir o acréscimo anual de 3.300 MW médios de energia que o Ministério de Minas e Energia considera necessário para fazer face às projeções de crescimento econômico para o Brasil. Difundir informações de que a implantação desses processos evitaria, por exemplo, a construção das usinas do rio Madeira não tem qualquer cabimento. O mesmo se pode dizer quanto à possibilidade de eólicas serem capazes de evitar a construção de novas hidrelétricas.

Concordemos, então: a energia eólica é uma beleza, o Brasil deve investir cada vez mais nessa opção, há quem ache lindos os cata-ventos e os zingamochos – embora haja dúvidas quanto à reação da população de cidades que tenham que conviver próximas aos geradores, enfrentando a poluição visual e a descaracterização urbanística. Entretanto, essa não é uma opção para a base da matriz elétrica de qualquer país. Eólicas não são feitas para a geração de base, pois exigem complementação por meio de outras fontes, como hidrelétricas e termelétricas. Com fator de capacidade menor do que a média das hidrelétricas brasileiras, as usinas eólicas dependem fortemente dos ventos, pois essa opção tecnológica não permite armazenar a energia produzida.

O crescimento do mercado consumidor de energia combinado com a implantação de usinas sem reservatórios diminui a confiabilidade do sistema, veda o aproveitamento múltiplo dos lagos das hidrelétricas e obriga o Operador Nacional do Sistema (ONS) a fazer um gerenciamento ano a ano dos estoques de água nas usinas. Como se sabe, sistemas elétricos imunes a defeitos ou a desligamentos imprevistos são modelos teóricos. Os 100% de confiabilidade no sistema elétrico ou “risco zero” de falhas implicaria elevar os custos, que tenderiam ao infinito. E o consumidor teria que pagar por isso, o que implicaria tarifas proibitivas. Assim, no mundo todo, algum risco de falha no sistema é aceito. Mas a redução no nível de confiabilidade do sistema interligado não é desprezível quando se reduz a capacidade de armazenamento de um sistema predominantemente hidrotérmico como o brasileiro.

Quem deveria decidir se a opção pela construção de usinas a fio d’água é a melhor alternativa? Trata-se de um risco para o sistema, um erro inclusive do ponto de vista socioambiental e uma opção praticamente irreversível. Logo, constitui matéria a ser objeto de discussão por ampla representação da sociedade, e não apenas por ativistas ambientais, sociais, ideológicos ou do direito.

Parece que alguém se esqueceu do art. 20, inciso VIII, da Constituição Federal, segundo o qual os potenciais hídricos são bens da União e não de meia dúzia de agentes públicos assustados com as ONGs, com a mídia e com os “achistas” de plantão. Se essa é uma discussão a ser feita pela sociedade e como seria inviável – embora defensável e desejável – a realização de um plebiscito acerca do tema, a democracia representativa tem a única resposta legítima para esse desafio: o Congresso Nacional.

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Para saber mais sobre o tema:

Abbud, O. e Tancredi, M.  Transformações Recentes na Matriz Brasileira de Geração de Energia Elétrica: Causas e Impactos Principais. Texto para Discussão nº 69. Núcleo de Estudos e Pesquisas do Senado, Senado Federal. Disponível em http://www.senado.gov.br/senado/conleg/textos_discussao/TD69-OmarAbbud_MarcioTancredi.pdf

Montalvão, E.  (2011). Ambiente e energia: crença e ciência no licenciamento ambiental, parte I. Núcleo de Estudos e Pesquisa do Senado Federal. Texto para Discussão nº 93. Disponível em http://www.senado.gov.br/senado/conleg/textos_discussao/TD93-EdmundoMontalvao.pdf

Faria, I.D.  (2011). Ambiente e energia: crença e ciência no licenciamento ambiental, parte II. Núcleo de Estudos e Pesquisa do Senado Federal. Texto para Discussão nº 94. Disponível em http://www.senado.gov.br/senado/conleg/textos_discussao/TD94-IvanDutraFaria.pdf

Faria, I.D.  (2011). Ambiente e energia: crença e ciência no licenciamento ambiental, parte III. Núcleo de Estudos e Pesquisa do Senado Federal. Texto para Discussão nº 93. Disponível em http://www.senado.gov.br/senado/conleg/textos_discussao/TD99-IvanDutraFaria.pdf

Abbud, O. ; Faria, I.D. e Montalvão, E.  (2011). Ambiente e energia: crença e ciência no licenciamento ambiental, parte IV. Núcleo de Estudos e Pesquisa do Senado Federal. Texto para Discussão nº 107.

http://www.senado.gov.br/senado/conleg/textos_discussao/TD107-EdmundoMontalvao-IvanDutra-OmarAbbud.pdf.

Faria, I.D.  (2011). Entrevista à TV Senado (2011). http://www.senado.gov.br/noticias/tv/videos/cod_midia_64264.flv


[1] Essa energia é calculada por meio do produto Potência Nominal X 8760 h. Por sua vez, o número de horas anuais é calculado pelo produto 24h X 365 dias, ou seja, 8760 h. Não se deve confundir Fator de Capacidade com Fator de Carga, que é a razão entre a demanda média de energia elétrica, durante um determinado intervalo de tempo, e a demanda máxima registrada no mesmo período. Quanto maior esse índice, mais adequado é o uso da eletricidade.

[2] Os valores médios de fatores de capacidade, em geral, não são muito precisos em razão da dinâmica do processo de implantação de novas usinas em cada país. Por exemplo, a entrada em operação ou a ampliação de um empreendimento pode alterar esses valores. Desse modo, os números aqui apresentados têm função apenas ilustrativa, visando a uma comparação que, de resto, é pertinente, uma vez que as possíveis variações não alteram substantivamente as possíveis conclusões.

Sobre o Autor:

Ivan Dutra Faria

Especialista em Avaliação de Impactos Ambientais de Barragens. Mestre e Doutor em Política, Planejamento e Gestão Ambiental. Consultor Legislativo do Senado Federal (Área de Minas e Energia).

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28 Comentários Comentar

  • É absolutamente fundamental manifestações que levem a reflexão sobre pontos importantes e não apenas discussões carregadas de emocionalismo que pouco contribuam para o exame dos problemas, como vem ocorrendo sobre Belo Monte.
    Ivan Dutra provoca que o assunto não fique apenas na base do “fla x flu” e sim estimula a sociedade a pensar naquilo que deseja para si no futuro e avalie quais caminhos seguir. As decisões nem sempre são fáceis e algumas vezes contradizem o pensamento da maioria. mas ainda assim precisam ser tomadas. Nada melhor que a discussão aberta e não emocional para propiciar a diminuição do risco de erros.
    Vamos exercitar a polemica, mantendo os vinculos com a realidade.

  • Do ponto de vista ambiental, o consultor não considerou uma diferença fundamental entre os dois tipos de reservatório (acumulação e fio dágua), o primeiro se caracteriza exatamente, por promover um acumulo de água, a montante do barramento, de tal sorte que as vazões de entrada não é a mesma vazão de saída, como no triste caso de Sobradinho no rio São Francisco. Neste caso, não só água é retida, como também parcela considerável de sedimento, interferindo fortemente na dinâmica do rio a jusante do empreendimento. No caso de Sobradinho, percebe-se que a ictiofauna de jusante e a dinâmcia das varzeas no baixo são francisco sofreram forte influência do empreendimento, com risco eminente de empobrecimento das populações que utilizavam aquele ambiente. Sem contar aspectos de qualidade de água, que quase sempre são piores em ambientes de reservatório de acumulação. Obviamente, o maior impacto de um empreendimento hidrelétrico é o próprio barramento em si, para qualquer configuração de usina. Mas, não se pode deixar de notar que há diferenças fundamentais entre reservatório de acumulação e a fio dágua.

    • Caro Pedro,

      Obrigado por seu comentário.

      Realmente, os dois tipos de reservatório são distintos. Aliás, na prática, não há reservação de água na opção a fio d’água ou, quando há alguma, não possui grande significado para o sistema. Todavia, o objetivo do texto não é – e nem poderia ser – negar a diferença entre os dois tipos de projeto.Trata-se da forma como essas decisões foram tomadas e da legitimidade para tomá-las.

      Quanto à retenção de sedimentos, um problema real, já existem pesquisas (Brasil e Portugal) que apontam para a viabilidade da sua retirada a montante e consequente reposição a jusante, tendo como um dos objetivos do processo a utilização de sedimentos como fertilizante de solos das margens. Isso os restituiria ao curso d´água, com óbvios ganhos. Experiências exitosas também tem sido registradas em outros aspectos, tais como as estações de piscicultura, os empreendimentos turísticos, a contenção de cheias, a irrigação etc.

      Não é correta a afirmação de que o maior impacto de um empreendimento hidrelétrico seja o próprio barramento em si, para qualquer configuração de usina. Primeiramente, porque não se deve computar apenas impactos negativos, muito pelo contrário. Diferentemente das outras formas de geração, as hidrelétricas permitem explorar seus múltiplos benefícios. Se não o fazem – e por que não o fazem – é objeto de uma outra instigante discussão.

      Em segundo lugar, deve-se considerar que a comparação entre uma série de usinas a fio d’ água, em várias bacias, por exemplo, e o barramento com acumulação em apenas uma bacia pode revelar uma grande vantagem para a segunda opção, com evidentes ganhos de escala e maior potencial de resolução de conflitos relativos ao uso da água.

      Foi um prazer responder ao seu comentário polido e pertinente.

      Ivan Dutra Faria

  • Parabens, Ivan, pelo brilhante e lucido artigo, que ajuda a esclarecer, e muito, essa materia, que tem sido objeto de tantos equivocos e que tanto prejuizo poderia causar ao Pais!

  • Sem dúvida o trabalho de Ivan Dutra coloca a público de forma clara e concisa uma discussão que no Brasil está se tornando uma questão de natureza ideológica, as usinas hidrelétricas. E sobretudo aquelas localizadas na Amazonia.
    Concordo com o autor sobre a análise que faz a respeito de como esta discussão vem sendo conduzida por algumas institutições que se dizem defensoras inconteste do meio ambiente e dos representantes da sociedade afetada pelas usinas hidrelétricas, com desinformação e mitos. E, também, por algumas instituições governamentais cuja atuação se relaciona com o assunto, com receios e medos de aparecerem “mal na foto”.
    Contudo, talvez minha única ressalva ao artigo de Ivan diz respeito a forma com que ele sugere o assunto seja avançado. Não sobre o locus de onde a discussão seja realizada, no Congresso Nacional, mas sim sobre como conduzir esta discussão.
    O Ivan sabe que em se tratando de qualquer ação significativa de intervenção no ambiente, e uma usina hidrelétrica é um bom exemplo deste tipo de ação, uma questão que é impossível de se negar é o grau de incertezas existentes sobre os efeitos e/ou impactos desta ação, sejam positivos ou negativos. Não há ciencia hoje possível de se recorrer para garantir que estas incertezas sejam adequadamente identificadas e avaliadas. Aliás, um avanço significativo ocorrido nas ciencias ambientais a partir da década dos 80s é exatamente admitir estas incertezas.
    Ora, se não há como negar que estas incertezas existem, este aspecto da questão usinas hidrelétricas poderá sempre ser utilizado pelos ideólogos ambientalistas para aplicar, como bem coloca o autor, o famoso princípio da precaução. Diante deste quadro como caminhamos.
    Como apontei, minha dúvida não está sobre o local onde esta questão deva ser decidida, o Congresso Nacional, uma vez que a própria Constituição Brasileira de 1988 em seu Art. 165, Parágrafo 4 indica que “os planos e programas nacionais, regionais e setoriais previstos nesta Constituição serão elaborados em consonância com o plano plurianual e apreciados pelo Congresso Nacional”. Uma usina hidrelétrica sempre deverá ser uma ação de intervenção que esteja definida em planos ou programas de natureza nacional, regional ou setorial. Logo, a base legal existe. A questão está em como o Legislativo deverá se municiar de informações e argumentos para poder tomar uma decisão que seja a mais defensável, em termos ambientais, sociais, economicas, culturais e institucionais.
    Faz tempo que defendo a utilização no Brasil de um instrumento de auxílio para a tomada de decisão denominado Avaliação Ambiental Estratégica (AAE). Este nome não limita este instrumento a análises e avaliações apenas das questões de natureza ambiental, mas inclui também aquelas relativas ao social, ao economico, ao cultural, dentre outras. Na prática a AAE é um instrumento de planejamento, que avalia as diferentes opções para o desenvolvimento de um país, de uma região ou de um território, em termos dos possíveis impactos – positivos ou negativos – que estas opções irão provocar. Ao fazer a avaliação em nível de políticas, planos e programas este instrumento permite que as possíveis opções propostas para estas distintas etapas do planejamento sejam adequadamente avaliadas sem que haja pressões de empreendedores que querem ver seus projetos prontos e funcionando em curto prazo. Isto porque avaliar políticas, planos e programas é completamente distinto de avaliar projetos, que é a última etapa de uma ação de planejamento. Nas políticas, planos e programas as opções pensadas ainda estão em estágio de decisão e não de execução.
    A AAE vem sendo utilizada por países que tem uma tradição de planejamento e não é um instrumento que tenha complexidades que impaçam que seja realizada no Brasil. Aliás, ela já está presente no cenário nacional, embora muitas das AAEs feitas no Brasil não mereçam ser assim denominadas.
    Mas neste estágio da argumentação alguém irá me perguntar como a AAE poderá resolver a questão anteriormente apontada das incertezas. Na verdade resolver não irá resolver, pois como apontei não há ciencia disponível para resolver estas incertezas. Contudo, ao avaliar, por exemplo, uma ação de intervenção para um território como uma bacia hidrográfica – a do Rio Xingu, por exemplo – uma AAE deverá avaliar as diferentes opções de uso deste território em termos de suas diferentes potencialidades e tendo em consideração os impactos – positivos e negativos – que estas diferentes opções irão provocar nos domínios ambiental, social, economico, cultural, dentre outros. Ou seja, esta AAE irá proporcionar aos tomadores de decisão – o Congresso Nacional – um conjunto de informações que possibilitará que uma decisão seja feita tendo em conta um conjunto amplo de opções e informações que foram produzidas tendo por referencia aspectos de natureza científica e, também, participativa, pois uma AAE tem como uma etapa de seu processo de realização aquela da consulta a sociedade.

  • […] os reservatórios, mais energia pode ser armazenada (a esse respeito ver, neste site, o texto O que são usinas hidrelétricas a fio d’água e quais os custos inerentes à sua construção?). O combustível nuclear pode ser armazenado sob a forma de pastilhas e usado no momento requerido, […]

  • O artigo do Prof. Dr. Ivan Dutra tem o mérito singular apresentar a público um debate técnico de alto nível e competência, acerca de tema de suma relevância e sua importância social e econômica, qual seja o da utilização de recursos hídricos e naturais do pais e seu aproveitamento para fins econômicos e industriais etc.
    Pode-se inferir contudo que o ponto de vista central vem propugnar pela defesa de premissas longamente estabelecidas por setores de planejamento energético governamental.
    Gostaria não obstante de questionar alguns aspectos ao destacado consultor e pesquisador.
    É importante se discernir que ao invocar um debate sobre bases científicos, se faz necessário também evidenciar que os projetos de sistemas hidroelétricos realmente mantém qualidade técnico-científica, ou se constituem decisões arbitrárias de desenvolver empreendimentos, tomadas por grupos estamentais fechados a debates.
    A tecnologia de barragens a fio d’água, realmente tem aspectos positivos a serem desenvolvidos comparativamente aos barramentos de reservatórios de acumulação. Mas é importante que se considere que seus aspectos positivos devem ser primordialmente testados, principalmente se considerar condições fisiográficas características de rios das bacias amazônicas. Ou seja seria cientificamente importante testar a efetividade da solução preconizada de barragens a fio d’água, testando em pequenas bacias, previamente a sua adoção em grandes cursos importantes tais como o Xingu e o Tapajós e Teles Pires entre outros. Tal ocorre porque a fisiografia das bacias fluviais amazonica é totalmente distinta das bacias do SUDESTE ou NORDESTE, pelo seu inerente comportamento adaptável e compensador de regime de cheias. Assim como seria importante avaliar melhor o comportamento desses sistemas de infra-estrutura de barragens sobre as matas ciliares, que na amazonia tem papel preponderante no equilíbrio fisiográfico, ou seja na interação entre relevo, solo, vegetação e hidrologia como um todo. Me parece que os relatórios de avaliação ambiental ou mesmo de viabilidade estritamente técnico-econômica conduzidos conforme os procedimentos comumente aplicados pela ELETROBRAS são excessivamente simplistas e pouco científicos em relação às complexidades da regiao amazonica.
    Assim o princípio da precauçao, ou seja avaliar cautelosamente e cientificamente os riscos envolvidos nos empreendimentos de tal envergadura, embora seja atacado frontalmente pelo pesquisador, tem também por mérito evidenciar que os projetos atuais de barragens sao muito pouco consequentes e até muito limitados, relativamente à avaliação de riscos programáticos/operacionais, ambientais e sociais.
    È evidente também que o Prof. Dr Ivan conhece o estágio de desenvolvimento tecnológico e industrial crescentes associados ao setor de energia eólica. O setor eólico é reconhecidamente considerado estratégico e cresce de forma pujante em distintos países com caraterísticas de sistemas e matrizes energéticas muito complexas, tais como Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha, Dinamarca, Espanha, e China e Canadá, com crescentes e significantes fatores de participação nas respectivas matrizes energéticas. Importante salientar que este setor eólico tem crescido no Brasil de forma igualmente significativa a despeito das políticas setoriais públicas para o setor serem consideradas frequentemente tíbias e tímidas.
    É nota dissonante no artigo do eminente pesquisador que omita que os fatores de capacidade atingidos pelo setor eólico sejam significativamente tão elevados quanto os apresentados pela tecnologia fio d’água ( que a princípio também deveria armazenar mínima de energia ). È de se discrepar também que, ao destacar os efeitos urbanísticos dos parques eólicos, tenha se evadido de constatar a extensa devastação provocada pelos barramentos nas margens dos reservatórios, os processos erosivos acentuados e intensificados, a perda de recursos alimentares e pesqueiros, e a degradação de qualidade de águas e acquíferos.
    Seria interessante que cientificamente sejam esclarecidos tais aspectos, e que se mantenha a prudência e cautela necessárias, previamente a execuçao de empreendimentos irreversíveis.

  • Usinas de fio d’água são as mais baratas porque não têm as despesas de represa e reservatótio, justamente as maiores de qualquer empreendimento hidroelétrico. Graças a ação de ambientalistas e a resistência dos índios os reservatórios foram reduzidos ao mínimo. Ridículos em relação aos reservatorios de Furnas, Itumbiara e Serra da Mesa que são reservatórios em vales profundos. Comparativamente, a área inundada em Belo Monte (516 Km² ou ~20X25 Km é inferior á área qualquer um dos 34 municípios do lago de Furnas.

  • Comenta-se que ainda seão construídas mais 8 usinas hidrelétricas na Amazônia. Se isto é fato, as autoridades precisam, sem falta, explicar aos eleitores onde será aplicada tanta energia.
    Os países de ponta de hoje empregam capaital para o desenvolvimento de conhecimento. A produção industrial não ocupa mais seu território. Sua necessidade de energia tende a crescer menos. O Japão transferiu parte importante de sua indústria de transformação para a China, Formosa e Vietnam. A Alemanha fez o mesmo, transferindo sua indústria para a Turquia, Bulgária e Romênia.
    É neste ambiente que o Brasil pretende inundar a Amazônia com hidrelétricas?
    Parece-me claro que nossas autoridades querem condenar o Brasil a ser produtor de aço, plásticos, papel e madeira. Pobre Brasil!

    • Caro Argemiro,

      Segundo dados da EPE, todos os reservatórios de todas as usinas existentes e a construir na Amazônia somam 10.500 km². A Floresta Amazônica é um bioma que se estende por 6,5 milhões de km², se incluirmos a parte que não fica no Brasil.
      Parece razoável que essa área ínfima, perto do tamanho total da Floresta, seja usado para gerar energia elétrica limpa e barata de que o País tanto vai necessitar.
      Não se trata, portanto, de inundar a Amazônia.
      Dispor de tal riqueza e não usá-la não me parece uma boa idéia.

      Omar Abbud

  • as usinas a fio dágua não deveriam inundar as áreas a montante, como as dos rios europeus, como o Reno, o Meno, o Danúbio etc? Mto diferentes dos que vc menciona no Brasil, como tucuruí, Itaipú, Belo Monte (vai inundar mais de 500k2?)

  • Sem dúvida o trabalho de Ivan Dutra coloca a público de forma clara e concisa uma discussão que no Brasil está se tornando uma questão de natureza ideológica, as usinas hidrelétricas. E sobretudo aquelas localizadas na Amazonia.
    Concordo com o autor sobre a análise que faz a respeito de como esta discussão vem sendo conduzida por algumas institutições que se dizem defensoras inconteste do meio ambiente e dos representantes da sociedade afetada pelas usinas hidrelétricas, com desinformação e mitos. E, também, por algumas instituições governamentais cuja atuação se relaciona com o assunto, com receios e medos de aparecerem “mal na foto”.
    Contudo, talvez minha única ressalva ao artigo de Ivan diz respeito a forma com que ele sugere o assunto seja avançado. Não sobre o locus de onde a discussão seja realizada, no Congresso Nacional, mas sim sobre como conduzir esta discussão.
    O Ivan sabe que em se tratando de qualquer ação significativa de intervenção no ambiente, e uma usina hidrelétrica é um bom exemplo deste tipo de ação, uma questão que é impossível de se negar é o grau de incertezas existentes sobre os efeitos e/ou impactos desta ação, sejam positivos ou negativos. Não há ciencia hoje possível de se recorrer para garantir que estas incertezas sejam adequadamente identificadas e avaliadas. Aliás, um avanço significativo ocorrido nas ciencias ambientais a partir da década dos 80s é exatamente admitir estas incertezas.
    Ora, se não há como negar que estas incertezas existem, este aspecto da questão usinas hidrelétricas poderá sempre ser utilizado pelos ideólogos ambientalistas para aplicar, como bem coloca o autor, o famoso princípio da precaução. Diante deste quadro como caminhamos.
    Como apontei, minha dúvida não está sobre o local onde esta questão deva ser decidida, o Congresso Nacional, uma vez que a própria Constituição Brasileira de 1988 em seu Art. 165, Parágrafo 4 indica que “os planos e programas nacionais, regionais e setoriais previstos nesta Constituição serão elaborados em consonância com o plano plurianual e apreciados pelo Congresso Nacional”. Uma usina hidrelétrica sempre deverá ser uma ação de intervenção que esteja definida em planos ou programas de natureza nacional, regional ou setorial. Logo, a base legal existe. A questão está em como o Legislativo deverá se municiar de informações e argumentos para poder tomar uma decisão que seja a mais defensável, em termos ambientais, sociais, economicas, culturais e institucionais.
    Faz tempo que defendo a utilização no Brasil de um instrumento de auxílio para a tomada de decisão denominado Avaliação Ambiental Estratégica (AAE). Este nome não limita este instrumento a análises e avaliações apenas das questões de natureza ambiental, mas inclui também aquelas relativas ao social, ao economico, ao cultural, dentre outras. Na prática a AAE é um instrumento de planejamento, que avalia as diferentes opções para o desenvolvimento de um país, de uma região ou de um território, em termos dos possíveis impactos – positivos ou negativos – que estas opções irão provocar. Ao fazer a avaliação em nível de políticas, planos e programas este instrumento permite que as possíveis opções propostas para estas distintas etapas do planejamento sejam adequadamente avaliadas sem que haja pressões de empreendedores que querem ver seus projetos prontos e funcionando em curto prazo. Isto porque avaliar políticas, planos e programas é completamente distinto de avaliar projetos, que é a última etapa de uma ação de planejamento. Nas políticas, planos e programas as opções pensadas ainda estão em estágio de decisão e não de execução.
    A AAE vem sendo utilizada por países que tem uma tradição de planejamento e não é um instrumento que tenha complexidades que impaçam que seja realizada no Brasil. Aliás, ela já está presente no cenário nacional, embora muitas das AAEs feitas no Brasil não mereçam ser assim denominadas.
    Mas neste estágio da argumentação alguém irá me perguntar como a AAE poderá resolver a questão anteriormente apontada das incertezas. Na verdade resolver não irá resolver, pois como apontei não há ciencia disponível para resolver estas incertezas. Contudo, ao avaliar, por exemplo, uma ação de intervenção para um território como uma bacia hidrográfica – a do Rio Xingu, por exemplo – uma AAE deverá avaliar as diferentes opções de uso deste território em termos de suas diferentes potencialidades e tendo em consideração os impactos – positivos e negativos – que estas diferentes opções irão provocar nos domínios ambiental, social, economico, cultural, dentre outros. Ou seja, esta AAE irá proporcionar aos tomadores de decisão – o Congresso Nacional – um conjunto de informações que possibilitará que uma decisão seja feita tendo em conta um conjunto amplo de opções e informações que foram produzidas tendo por referencia aspectos de natureza científica e, também, participativa, pois uma AAE tem como uma etapa de seu processo de realização aquela da consulta a sociedade.
    O artigo do Prof. Dr. Ivan Dutra tem o mérito singular apresentar a público um debate técnico de alto nível e competência, acerca de tema de suma relevância e sua importância social e econômica, qual seja o da utilização de recursos hídricos e naturais do pais e seu aproveitamento para fins econômicos e industriais etc.
    Pode-se inferir contudo que o ponto de vista central vem propugnar pela defesa de premissas longamente estabelecidas por setores de planejamento energético governamental.
    Gostaria não obstante de questionar alguns aspectos ao destacado consultor e pesquisador.
    É importante se discernir que ao invocar um debate sobre bases científicos, se faz necessário também evidenciar que os projetos de sistemas hidroelétricos realmente mantém qualidade técnico-científica, ou se constituem decisões arbitrárias de desenvolver empreendimentos, tomadas por grupos estamentais fechados a debates.
    A tecnologia de barragens a fio d’água, realmente tem aspectos positivos a serem desenvolvidos comparativamente aos barramentos de reservatórios de acumulação. Mas é importante que se considere que seus aspectos positivos devem ser primordialmente testados, principalmente se considerar condições fisiográficas características de rios das bacias amazônicas. Ou seja seria cientificamente importante testar a efetividade da solução preconizada de barragens a fio d’água, testando em pequenas bacias, previamente a sua adoção em grandes cursos importantes tais como o Xingu e o Tapajós e Teles Pires entre outros. Tal ocorre porque a fisiografia das bacias fluviais amazonica é totalmente distinta das bacias do SUDESTE ou NORDESTE, pelo seu inerente comportamento adaptável e compensador de regime de cheias. Assim como seria importante avaliar melhor o comportamento desses sistemas de infra-estrutura de barragens sobre as matas ciliares, que na amazonia tem papel preponderante no equilíbrio fisiográfico, ou seja na interação entre relevo, solo, vegetação e hidrologia como um todo. Me parece que os relatórios de avaliação ambiental ou mesmo de viabilidade estritamente técnico-econômica conduzidos conforme os procedimentos comumente aplicados pela ELETROBRAS são excessivamente simplistas e pouco científicos em relação às complexidades da regiao amazonica.
    Assim o princípio da precauçao, ou seja avaliar cautelosamente e cientificamente os riscos envolvidos nos empreendimentos de tal envergadura, embora seja atacado frontalmente pelo pesquisador, tem também por mérito evidenciar que os projetos atuais de barragens sao muito pouco consequentes e até muito limitados, relativamente à avaliação de riscos programáticos/operacionais, ambientais e sociais.
    È evidente também que o Prof. Dr Ivan conhece o estágio de desenvolvimento tecnológico e industrial crescentes associados ao setor de energia eólica. O setor eólico é reconhecidamente considerado estratégico e cresce de forma pujante em distintos países com caraterísticas de sistemas e matrizes energéticas muito complexas, tais como Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha, Dinamarca, Espanha, e China e Canadá, com crescentes e significantes fatores de participação nas respectivas matrizes energéticas. Importante salientar que este setor eólico tem crescido no Brasil de forma igualmente significativa a despeito das políticas setoriais públicas para o setor serem consideradas frequentemente tíbias e tímidas.
    É nota dissonante no artigo do eminente pesquisador que omita que os fatores de capacidade atingidos pelo setor eólico sejam significativamente tão elevados quanto os apresentados pela tecnologia fio d’água ( que a princípio também deveria armazenar mínima de energia ). È de se discrepar também que, ao destacar os efeitos urbanísticos dos parques eólicos, tenha se evadido de constatar a extensa devastação provocada pelos barramentos nas margens dos reservatórios, os processos erosivos acentuados e intensificados, a perda de recursos alimentares e pesqueiros, e a degradação de qualidade de águas e acquíferos.
    Seria interessante que cientificamente sejam esclarecidos tais aspectos, e que se mantenha a prudência e cautela necessárias, previamente a execuçao de empreendimentos irreversíveis.

  • O artigo do Prof. Dr. Ivan Dutra tem o mérito singular apresentar a público um debate técnico de alto nível e competência, acerca de tema de suma relevância e sua importância social e econômica, qual seja o da utilização de recursos hídricos e naturais do pais e seu aproveitamento para fins econômicos e industriais etc.
    Pode-se inferir contudo que o ponto de vista central vem propugnar pela defesa de premissas longamente estabelecidas por setores de planejamento energético governamental.
    Gostaria não obstante de questionar alguns aspectos ao destacado consultor e pesquisador.
    É importante se discernir que ao invocar um debate sobre bases científicos, se faz necessário também evidenciar que os projetos de sistemas hidroelétricos realmente mantém qualidade técnico-científica, ou se constituem decisões arbitrárias de desenvolver empreendimentos, tomadas por grupos estamentais fechados a debates.
    A tecnologia de barragens a fio d’água, realmente tem aspectos positivos a serem desenvolvidos comparativamente aos barramentos de reservatórios de acumulação. Mas é importante que se considere que seus aspectos positivos devem ser primordialmente testados, principalmente se considerar condições fisiográficas características de rios das bacias amazônicas. Ou seja seria cientificamente importante testar a efetividade da solução preconizada de barragens a fio d’água, testando em pequenas bacias, previamente a sua adoção em grandes cursos importantes tais como o Xingu e o Tapajós e Teles Pires entre outros. Tal ocorre porque a fisiografia das bacias fluviais amazonica é totalmente distinta das bacias do SUDESTE ou NORDESTE, pelo seu inerente comportamento adaptável e compensador de regime de cheias. Assim como seria importante avaliar melhor o comportamento desses sistemas de infra-estrutura de barragens sobre as matas ciliares, que na amazonia tem papel preponderante no equilíbrio fisiográfico, ou seja na interação entre relevo, solo, vegetação e hidrologia como um todo. Me parece que os relatórios de avaliação ambiental ou mesmo de viabilidade estritamente técnico-econômica conduzidos conforme os procedimentos comumente aplicados pela ELETROBRAS são excessivamente simplistas e pouco científicos em relação às complexidades da regiao amazonica.
    Assim o princípio da precauçao, ou seja avaliar cautelosamente e cientificamente os riscos envolvidos nos empreendimentos de tal envergadura, embora seja atacado frontalmente pelo pesquisador, tem também por mérito evidenciar que os projetos atuais de barragens sao muito pouco consequentes e até muito limitados, relativamente à avaliação de riscos programáticos/operacionais, ambientais e sociais.
    È evidente também que o Prof. Dr Ivan conhece o estágio de desenvolvimento tecnológico e industrial crescentes associados ao setor de energia eólica. O setor eólico é reconhecidamente considerado estratégico e cresce de forma pujante em distintos países com caraterísticas de sistemas e matrizes energéticas muito complexas, tais como Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha, Dinamarca, Espanha, e China e Canadá, com crescentes e significantes fatores de participação nas respectivas matrizes energéticas. Importante salientar que este setor eólico tem crescido no Brasil de forma igualmente significativa a despeito das políticas setoriais públicas para o setor serem consideradas frequentemente tíbias e tímidas.
    É nota dissonante no artigo do eminente pesquisador que omita que os fatores de capacidade atingidos pelo setor eólico sejam significativamente tão elevados quanto os apresentados pela tecnologia fio d’água ( que a princípio também deveria armazenar mínima de energia ). È de se discrepar também que, ao destacar os efeitos urbanísticos dos parques eólicos, tenha se evadido de constatar a extensa devastação provocada pelos barramentos nas margens dos reservatórios, os processos erosivos acentuados e intensificados, a perda de recursos alimentares e pesqueiros, e a degradação de qualidade de águas e acquíferos.
    Seria interessante que cientificamente sejam esclarecidos tais aspectos, e que se mantenha a prudência e cautela necessárias, previamente a execuçao de empreendimentos irreversíveis.

  • […] a fio d’água (para ler mais acerca de reservatórios a fio d’água ver, neste site, o texto “O que são as usinas ‘a fio d’água’ e quais os custos inerentes à sua construção?”), e abrir o debate sobre o que iremos fazer ao respeito do desperdício de um precioso […]

  • […] Santo Antonio e Jirau, já em construção no rio Madeira, são exemplos dessa tendência.” http://www.brasil-economia-governo.org.br/2012/03/05/o-que-sao-usinas-hidreletricas-a-fio-d%E2%80%99… [2] Preferência da Eletrobras será fazer usinas com […]

  • Gostei da fundamentação, trouxe reflexões muito abrangentes e aproveitáveis, confirmando a ideia de que não podemos ser alienáveis e formar ideias a partir da mídia ou qualquer outro meio de comunicação, sem possuir conhecimento técnico, jurídico e multidisplinar sobre os fatos.
    Eu concordo que o plesbicito seria boa opção, todas as intervenções feitas na natureza geram impactos positivos e negativos, diretos ou indiretos no meio social, econômico e ambiental, devendo todos nós decidirmos sobre aspectos tão importantes. Acredito que o principal desafio do Brasil, atualmente, é garantir e manter esse desenvolvimento satisfazendo as necessidades econômicas do país e minimizando os impactos ambientais e sociais causados por este desenvolvimento.
    Em análise feita ao Estudo de Impacto Ambiental- EIA de Belos Montes, cheguei à conclusão de que no trecho de redução da vazão à jusante da barragem, causaria grandes impactos ambientais à ictiofauna, répteis, flora, população ribeirinha e população indígena que dependem dos recursos naturais proporcionados pelas águas nas épocas de cheias e também no período de seca. Ao analisar um projeto desta magnitude não podemos viabilizar apenas o lado econômico, os impactos na natureza e social advindos do deplecionamento das águas seriam irreversíveis, negativos à curto e longo prazo, um grande desequilíbrio na reprodução e interação dos organismos além da possibilidade da extinção de algumas espécies faunísticas e florísticas.
    Acho que andar em uma “via de mão única” como foi dito, seria impedir a construção da hidrelétrica – que gerará grandes impactos positivos para o Brasil- ou ainda permitir a construção da mesma, na forma do projeto primário que causaria mais impactos de grande magnitude ao meio socioeconômico desprezando o direito que TODOS possuem de um meio ambiente equilibrado e de qualidade.
    Assim como nós temos o direito de beneficiarmos com a energia elétrica e o desenvolvimento que ela proporcina, as populações que sobrevivem das águas dos rios também possuem o direito de continuar pescando e exercendo suas atividades habituais.
    Precisamos pensar que o deplecionamento de um rio modifica o regime hidrológico de toda uma bacia hidrográfica causando a mortandade de peixes, anfíbios, destruindo o hábitat de muitas aves aquáticas e semi aquáticas, impede a reprodução e desenvolvimento da biota.
    Desenvolver com sustentabilidade não é impedir as grandes obras de engenharia, elas são necessárias, desenvolver com sustentabilidade e buscar minimizar os impactos ambientais negativos causados por essas grandes obras e atividades, buscando cumprir o que diz a nossa Constituição Federal. Por isso acho que foi uma boa alternativa e grande competência de todos os profissionais envolvidos nesse projeto, definir o sistema da hidrelétrica de Belos Montes à “fio d’ água”.

  • Parabéns ao autor. Abordou o tema de forma crítica, corajosa e com embasamento.

  • RESERVATÓRIOS CHEIOS
    Não basta haver térmicas disponíveis se não houver estoque de combustível, que é o equivalente dos reservatórios de água. Nem pode haver dependência de infraestrutura de transporte (gasodutos, portos).
    Mas,
    –Porque os reservatórios devem permanecer cheios todo o tempo?
    Reservatórios cheios permitem suprir picos de demanda por períodos prolongados a qualquer hora, independente do clima. À medida que a demanda por energia cresce, hidroelétricas são cada vez mais solicitadas para atender picos maiores.
    Não compensa suprir picos de demanda (MW) através de usinas térmicas: sua potência seria maior do que a necessária para suprir energia (MW x hora).
    È muito mais barato adicionar unidades para incrementar a capacidade instalada de usinas prontas do que construir novas. Especialmente se houver provisão (slots). Equivale a baixar o fator de capacidade, tal como acontece nos países nos quais predominam térmicas. Ou, países que já esgotaram todo seu potencial hidroelétrico.

    RESERVATÓRIOS CHEIOS E A ENERGIA DE PONTA
    Reservatórios quase cheios é a contingência natural do sistema que se torna cada vez mais hidrotérmico.
    “O acionamento das UTE durante todo o ano de 2013 indica que o novo paradigma hidrotérmico veio para ficar, o que exigirá um esforço muito grande da política e do planejamento energético, que terá que alterar práticas, ações, métodos e modelos computacionais”. Nivalde de Castro.
    Não só isso, diríamos, processos que levem em conta o aproveitamento integral do combustível na produção e consumo das 2 formas de energia: calor e eletricidade, que são indissociáveis. Não se pode aperfeiçoar um sem negligenciar o outro.

    A geração hidrelétrica de ponta também poderá ser aumentada pela construção de novas unidades geradoras em poços provisionados em algumas usinas hidrelétricas já existentes (5 GW segundo a Abrage), o que torna baixo os custos para o atendimento da demanda máxima do SIN.
    Isso gera uma expectativa atraente para os produtores do mercado livre dado que com tarifas maiores os produtores vão utilizar a grande quantidade de energia secundária para a produção sazonal de bens que a energia elétrica consegue produzir, tais como hidrogênio, lítio, por exemplo. Não só isso, alguns consumidores vão migrar para este novo mercado, com perda de clientes das concessionárias.

    Antes, eram térmicas a vapor de baixa qualidade técnica que garantiam ponta com combustível barato. O máximo do desperdício de energia. O tempo do combustível barato já passou.
    Agora, os papéis se invertem: são térmicas a gás combinadas que economizam combustível fóssil das antigas térmicas.

  • RESERVATÓRIOS CHEIOS E A ENERGIA DE PONTA
    Reservatórios quase cheios é a contingência estrutural do sistema que se torna cada vez mais hidrotérmico.
    Mas, é claro que não vão permanece parados nesta condição. Usinas de jusante precisam funcionar para que hidroelétricas forneçam a parcela de energia que lhes cabe, que ainda é grande. Ademais, hidroelétricas vão ter atender picos todos os dias do ano, especialmente no período seco.
    A redução de tarifas – sempre benvinda – ocorre em momento crucial em que o sistema passa por mudanças estruturais com a utilização de modo permanente de térmicas nos próximos anos.
    O encarecimento pelo uso da térmica mais cara é uma consequência natural de um sistema que tende cada vez mais para hidrotérmico. Uma coisa nada tem a ver com outra: mesmo se não houvesse a baixa de tarifas o aumento do custo será inevitavelmente maior.
    “O acionamento das UTE durante todo o ano de 2013 indica que o novo paradigma hidrotérmico veio para ficar, o que exigirá um esforço muito grande da política e do planejamento energético, que terá que alterar práticas, ações, métodos e modelos computacionais”. Nivalde de Castro.
    Não só isso, diríamos, processos que levem em conta o aproveitamento integral do combustível na produção e consumo das 2 formas de energia: calor e eletricidade, que são indissociáveis. Não se pode aperfeiçoar um sem negligenciar o outro.

    TSUNAMI NA INDÚSTRIA SIDERÚRGICA
    “Está tendo o efeito de um tsunami na indústria siderúrgica global, pressionando os preços em todas as regiões”, disse Michelle Applebaum, analista de Chicago.
    O Brasil não precisa se intimidar com a oferta desordenada de produtos siderúrgicos (e alumínio) baratos como acontece com trilhos de má qualidade chineses recém-importados. O país tem condições de utilizar a grande capacidade de energia secundária para produzir – mesmo que sazonalmente – bens que a energia elétrica é capaz de produzir como eletro intensivos e aço (eletrólise a quente e fornos a arco), com isso reduzir a pressão sobre a indústria siderúrgica em vias de deixar o país (Siemens, Alcoa e outras). Os processos devastadores chineses não serão para sempre.

  • […] as turbinas do tipo Francis, foi nos informado também que a PCH Hidroluz funciona com o tipo Fio d’água, dessa maneira ela gera energia sem grandes reservatórios que utilizem grandes […]

  • HIDROELÉTRICAS NA GERAÇÃO DE PONTA
    Agora mesmo, com a intensificação de térmicas na base chegará ao absurdo de gerar energia elétrica para aquecimento de eletrodomésticos – quando poderia queimar o gás diretamente – a menos que hidrelétricas mais adaptáveis sejam utilizadas nos horários de pico.

    Para tanto existe grande quantidade de energia secundária a ser aproveitada, além do que existe a possibilidade de aumento de capacidade instalada pelo acréscimo de unidades com locais provisionados. Nos sistemas que já atingiram a fase térmica predominante este é um procedimento corriqueiro: hidrelétricas com baixo fator de capacidade.
    Não estamos proibidos de fazer usinas a carvão. Mas não acho que devam ser construídas mais usinas a carvão. Bastam as que já estão aí. Não por causa do combustível, mas pelo “processo de caldeira a vapor de baixíssimo rendimento, verdadeira reminiscência arqueológica” do qual não escapa nem as nucleares.
    Precisamos mais de térmicas combinadas a gás que aproveite integralmente a energia química do gás na produção das 2 formas de energia: calor e eletricidade.
    Fontes alternativas, como a eólica, não vão cumprir a função de geração básica do sistema. Embora limpa, a produção é intermitente.
    Potenciais da Amazônia têm ampla utilização local quando subutilizados na forma de usinas de bulbo para geração distribuída e complementada por térmicas a gás natural e convencional existente.

  • EFICIÊNCIA NO USO FINAL DA ENERGIA
    O Brasil usa de maneira ineficiente as 2 formas principais de produção de energia, tipicamente: calor e eletricidade.
    Exemplo: usou hidrelétricas para produzir energia e deixa térmicas paradas que poderiam substituir o estoque de energia potencial dos reservatórios por estoque de energia potencial química contida no combustível.
    Quando usa térmicas o processos não leva em conta o aproveitamento integral do combustível na produção e consumo das 2 formas de energia: calor e eletricidade, que são indissociáveis. Não se pode aperfeiçoar um sem negligenciar o outro.
    Não se pode perder de vista que o consumo de energia para finalidade de aquecimento é muito maior do que a produção energia elétrica propriamente dita.
    Agora mesmo, com a intensificação de térmicas na base chegará ao absurdo de gerar energia elétrica para aquecimento de eletrodomésticos – quando poderia queimar o gás diretamente – a menos que hidrelétricas mais adaptáveis sejam utilizadas nos horários de pico.
    Hospitais, condomínios, shopings, conjuntos habitacionais, etc. não podem prescindir de gerador próprio para gerar a sua própria energia. Cimenteiras, cerâmicas, fábrica vidros, produtores de bebida e alimentos etc. – que utilizam calor de processo – podem ser estimulados a gerar sua própria energia: calor frio e eletricidade, através de usinas combinadas. Um bom exemplo:
    “A GE fechou um contrato de US$ 4,5 milhões com a Coca-Cola Andina Brasil para equipar uma unidade de engarrafamento localizada em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, com três motores Jenbacher a gás natural. Com potência total de 12 megawatts, os equipamentos serão utilizados para gerar energia e aquecimento para a fábrica, seguindo o conceito quadgeneration. Isto significa que, além das funções típicas de fornecimento de eletricidade e calor, os motores da GE permitirão a produção de água fria, dióxido de carbono (CO₂), nitrogênio e operações de engarrafamento” (COGEN).

  • FONTES ALTERNATIVAS E USINAS DE FIOD’ÁGUA
    Não estamos proibidos de fazer usinas a carvão. Mas não acho que devam ser construídas mais usinas a carvão. Bastam as que já estão aí. O problema não está no combustível fóssil – que o mundo inteiro usa – mas no “processo rudimentar de caldeira a vapor de baixíssimo rendimento, verdadeira reminiscência arqueológica” do qual não escapa nem as nucleares.
    Fontes alternativas, como a eólica, não vão cumprir a função de geração básica do sistema. Embora limpa, a produção é intermitente e tão incerta quanto as usinas de fio d’àgua da Amazônia. Estas podem ser complementares mas não são integráveis.
    A Região Amazônica reúne as piores condições de armazenamento de energia por meio de reservatórios. A configuração não é, tipicamente, a de uma bacia única integrada, mas várias bacias isoladas, cujos rios não têm ligação física entre si, nem com os rios do Sudeste o que é um obstáculo a integração.
    Potenciais da Amazônia têm ampla utilização local quando subutilizados na forma de usinas de bulbo para geração distribuída e complementada por térmicas a gás natural e convencional existente.
    Precisamos mais de térmicas combinadas a gás que aproveite integralmente a energia química do gás na produção das 2 formas de energia: calor e eletricidade.

  • Como posso encontrar a função custo desse tipo de geração, ela pode ser aproximada pelo mesmo polinomio da geração térmica alterando os valores das constantes?

  • […] em usinas hidrelétricas, Ivan Dutra Faria, diz no artigo “O que são usinas hidrelétricas ‘a fio d’água’ e quais os custos inerentes à sua construção?” publicado no site da organização “Brasil, […]

  • […] Se eximirmos São Pedro de culpa, porque esse problema é, sem dúvida, terreno, há pelo menos quatro causas principais pelas quais temos dificuldades de abastecimento, dificuldades essas que podem resultar na necessidade de economia forçada de energia elétrica. A primeira delas está na construção de usinas hidrelétricas sem reservatórios onde isso é possível, em descumprimento, inclusive, da legislação vigente, que determina o chamado aproveitamento ótimo2 dos potenciais hídricos nacionais (acerca desse ponto ver, neste site, o texto “O que são usinas hidrelétricas a fio d’água e quais os custos inerentes a sua construção?”). […]

  • Boa Noite. Gostaria de saber em uma PCH o que influencia mais na geração de energia, a quantidade de água ou a queda?

  • Como Querem agua e consequente energia. O rio são Francisco é o maior fluente de agua do Nordeste, mais os Governo quere ver ele seco mesmo. No meado do primeiro mandato da Presidenta Dilma, o governo divulgou que iria incentivar o florestamento no lateral do rio, mas ficou na briga se iria plantar arvores fruteira ou não . e ater hoje, mais de 5 anos e nada.
    Muitos abraços a todos. Att: Andyrá- Garanhuns PE.

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