abr
6
2011

Valeu a pena privatizar a Vale?

Baixada a poeira da campanha presidencial, talvez já seja possível avaliar de forma menos emotiva os efeitos da privatização. Antes tarde do que nunca. Inferir os efeitos da introdução de gestão privada no desempenho de uma empresa não é tarefa fácil. Exige que se compare o desempenho da empresa como ela é hoje com o desempenho de uma empresa que não existe: uma Vale do Rio Doce que não tivesse sido privatizada e estivesse funcionando hoje. Essa seria a situação ideal: duas empresas idênticas, enfrentando condições de mercado idênticas, no mesmo momento histórico e econômico, tendo como única diferença o fato de uma ser privada e a outra ser estatal. Nesse caso, se poderia atribuir a diferença dos retornos econômicos das duas empresas à única característica que as distingue: ser estatal ou privada. É o que os economistas chamam de  “exercício contra-factual”: qual seria o retorno da empresa privatizada se ela tivesse permanecido sob controle estatal?

Se as empresas de um mesmo setor fossem privatizadas aleatoriamente, compararíamos os retornos das empresas privatizadas com os das públicas, como fazem pesquisadores de um laboratório farmacêutico quando testam uma nova droga, trabalhando, de forma controlada, com dois grupos: um de tratamento (que recebe a droga) e outro de controle (que toma um placebo). Para o bem ou para o mal, o acesso a tais experimentos nas ciências sociais é limitado.  Empresas não são privatizadas aleatoriamente. Por exemplo, o setor privado tem mais interesse por empresas mal geridas porque os ganhos com a troca de controle são maiores. Assim, a melhora na gestão pode ocorrer tanto por reversão à média (como diria o Tiririca, ‘pior do que está não fica’), ou porque, de fato, a gestão privada é mais eficiente.

Tomemos o caso da VALE. Ao analisar seus retornos nos últimos anos, a primeira impressão é que a privatização melhorou espetacularmente seu desempenho. Entre junho de 1997 e janeiro de 2011, a ADR (American Depositary Receipts)[1] da VALE gerou um retorno nominal em dólar (incluindo distribuição de dividendos) de incríveis 3.019%. No entanto, no mesmo período, o principal produto vendido pela VALE, o minério de ferro, também se valorizou fortemente em decorrência do aumento da demanda advinda da China. Entre 2003 (primeiro ano para o qual há dados disponíveis) e 2010, o preço do minério de ferro CIF[2] na China subiu 750%, tendo a maior parte desse aumento ocorrido a partir de 2005 quando, coincidentemente ou não, o retorno da VALE se acentua. Como o aumento do preço do minério não tem a ver com a privatização, parte do retorno não pode ser atribuída à troca de gestão.

Resta perguntar o seguinte: a privatização explica a diferença entre os 3.019% de retorno do papel e a apreciação de 750% no preço do minério?

A quantidade produzida aumentou 70% entre 2003 e 2010. Para evitar qualquer alegação de que nossas conclusões dependem disso, faremos a suposição heróica de que a privatização em nada contribuiu para o aumento de sua produção. Ou seja, a capacidade adicional já estaria disponível ou seria facilmente adicionada mesmo sob controle estatal.

Também para simplificar a argumentação, suporemos que o custo unitário subiu proporcionalmente com o preço. Assim, a margem de lucro teria crescido os mesmos 750% do aumento de preços (se preços e custos de produzir uma unidade sobem na mesma proporção, o lucro por unidade, definido como a diferença entre preço e custo, também cresce nessa mesma proporção). Nesse caso, o lucro da empresa subiria 1.345%[3], devido ao aumento de 70% na quantidade vendida e ao aumento de 750% na margem de lucro.

Ou seja, há uma diferença substancial entre o aumento do lucro da empresa (acima calculado em 1.345%) e o retorno nominal dos ADR (de 3.019%). São  1.674 pontos percentuais (pp) do retorno do ADR que ainda não estão explicados por aumento de preços e de quantidades vendidas, sob a hipótese de que o custo unitário subiu junto com o preço.

Portanto, a nossa hipótese de que o custo unitário de produção havia subido tanto quanto o preço parece não se aplicar. Será que foi a troca para a gestão privada que derrubou os custos e aumentou o lucro e o retorno da empresa? Ou terão sido economias de escala[4] que geraram os ganhos?

Na ausência de experimentos controlados, que permitam comparar a Vale privada a uma inexistente Vale estatal, emulamos o que seriam grupos de tratamento e controle. As três maiores empresas de mineração são listadas em bolsas de valores: BHP, Rio Tinto (RIO) e VALE. As duas primeiras sempre foram privadas. Já a VALE, como sabemos, foi privatizada em 1997. A RIO é mais comparável com a VALE porque sua exposição ao minério de ferro é maior do que a da BHP (62% versus 34% da margem EBITDA em 2010).

A lógica do argumento para inferir o efeito da gestão privada na VALE é simples. A menos da privatização, RIO e VALE foram basicamente expostas aos mesmos choques (por exemplo., aumento de demanda na China). É razoável, portanto, atribuir diferenças de rentabilidade à mudança de gestão na VALE.  A Figura 1[5] mostra a evolução dos retornos das ADRs de RIO e de VALE desde maio de 1995 (incluindo dividendos). Entre junho de 1997 e janeiro de 2011, a diferença nos retornos é de impressionantes 1.696 pp. Sobre isso, cinco comentários:

1.      Antes da privatização, o retorno da RIO aumentou mais do que o da VALE. Portanto, a diferença não pode ser explicada por diferentes tendências pré-privatização. Como os retornos são muito baixos em relação aos atuais, não fica muito evidente no gráfico que a RIO tinha maior retorno que a VALE no período.

2.      O frete transoceânico aumentou 400% entre setembro 2005 e setembro de 2008. A base de operações da RIO é na Austrália, mais perto da China. Portanto, o aumento no preço do frete prejudica mais o lucro da VALE do que da RIO (o que torna o nosso argumento ainda mais robusto: a Vale privatizada teve retorno maior que a RIO, mesmo enfrentando maiores custos de transporte).

3.      A exposição da RIO ao minério de ferro é menor, mas, incorporando-se a operação de cobre, as exposições agregadas em cobre e ferro são parecidas e o preço do cobre subiu tanto quanto o do minério.

4.      Quaisquer ganhos de escala que a VALE possa ter tido são parecidos com os que a RIO teve, pois ambas trabalham com processos produtivos similares.

5.      Os múltiplos[6] pagos por empresas brasileiras aumentaram porque o Brasil melhorou institucionalmente; como Austrália já era um país organizado em 1997, os múltiplos não aumentaram muito por lá. Por isso o Ibovespa subiu mais do que o AUS 200 (principal índice australiano), e isso não é mérito da privatização da Vale. Entre junho de 1997 e janeiro de 2011, o Ibovespa teve um retorno real de 210%, contra 28% do AUS 200. Ou seja, 182 pontos percentuais da diferença se devem à melhoria do Brasil em relação à Austrália.

Tirando esses 182 p.p. que diferenciam os dois países da diferença de retorno entre as duas empresas (1.696 p.p), restam ainda impressionantes 1.514 p.p. de valorização do ADR da Vale em relação ao da RIO. A explicação para tal  diferença é a privatização;  a mudança que afetou apenas a Vale.

Por fim, considerando apenas o período “pré-China”, a diferença de retornos foi de 231 pontos percentuais.

Os benefícios da privatização foram amplificados durante o boom, fenômeno não surpreendente para os especialistas em Economia das Organizações. As mudanças de gestão dificilmente são contínuas. Em geral, são necessários choques exógenos significativos (inovações tecnológicas, aumento substancial do preço de um insumo relevante, ou elevações de preços dos produtos vendidos) para que tais mudanças sejam iniciadas. Além disso, as mudanças de gestão envolvem várias dimensões que apresentam complementaridades e geram sinergia. Portanto, como sugerem Milgrom e Roberts (“The Economics of Modern Manufacturing: Technology, Strategy and Organization”, American Economic Review, 1990), mudanças tendem a ocorrer em todas as dimensões complementares, amplificando seus benefícios. Em decorrência da retro-alimentação, o efeito total é maior do que a soma das partes. Por já ser privada, a RIO não pôde explorar a mesma gama de ganhos gerenciais que beneficiaram a VALE.

Estabelecer relações causais em ciências sociais é missão espinhosa. Tendo essa ressalva em mente, a evidência disponível sugere que a gestão privada adicionou enorme valor à VALE. Não é demais lembrar que tais ganhos de gestão foram, em grande parte, apropriados pelo contribuinte através de tributos e dos dividendos recebidos pelo BNDES e PREVI (através da geração de superávits reconhecidos no resultado do Banco do Brasil) em decorrência de sua participação na VALEPAR (empresa que controla o Conselho de Administração da VALE e detém a maioria do capital votante).

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[1] Certificados representativos de ações da Vale, negociados no exterior, lastreados em ações da Cia depositadas no Brasil junto a um custodiante. Equivale a ações da empresa negociadas no exterior.

[2] O chamado preço CIF (de Cost, Insurance and Freight – custo, seguros e frete, em português), como o nome sugere, significa o preço final de uma mercadoria importada, incluindo as despesas de frete e seguros até o local de entrega da mercadoria.

[3] Variação da quantidade * Variação da margem de lucro = (1+70%)*(1+750%) – 1 = (1,7)*(8,50) – 1=13,45 =1345%

[4] Ocorrem economias de escala quando o aumento da produção gera um aumento de custos menos que proporcional ao aumento da produção, o que tende a elevar o lucro da empresa.

[5] A figura é apresentada na versão pdf do texto, disponível na parte inferior desta página.

[6] O portal de investimentos infomoney assim define múltiplos: “Os múltiplos de mercado são calculados dividindo variáveis como valor de mercado da empresa por uma série de indicadores presentes nos demonstrativos financeiros, como valor patrimonial, lucro estimado, fluxo de caixa. Estes múltiplos são equivalentes aos que você calculou para o seu imóvel: Preço/Quartos, Preço/Vagas, Preço/Área etc. Assim como no exemplo do imóvel, você deve comparar os múltiplos de mercado da empresa com os múltiplos de empresas similares. Por empresas similares entendemos empresas que atuem no mesmo segmento de mercado (estejam no mesmo bairro), tenham rentabilidade comparável (mesmo número de quartos), etc. A comparação entre os múltiplos de empresas é chamando Análise Comparativa, no caso das empresas pertencerem ao mesmo setor chamamos de Análise Setorial”.

Sobre o Autor:

Vinícius Carrasco e João Manoel

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25 Comentários Comentar

  • Senhores, li o presente artigo no Valor Econômico e achei fantástico. Não sei em que ele é melhor: no tema ou na didática.
    Parabéns aos autores.

  • Olá, Vinícius e João Manoel,

    Estava ancioso para ver a análise do site sobre a privatização da Vale e gostei muito do que li, um texto isento de partidarismo com uma análise séria do fato.

    Achei muito adequado ampliar a comparação do valor agregado usando dados de outras empresas do mesmo setor e mostrando que grande parte do crescimento só pode ser explicada pela privatização.

    Estou certo de que o texto apresentado supriu as lacunas do senso comum e deixou claro que valeu muito privatizar. Além disso, os impostos da Vale, os dividendos do BNDES e outras formas de retorno social do crescimento da empresa justificam a privatização, tornando-a a grande responsável pelo crescimento da Vale com respectivo aumento das exportações brasileiras e forte ajuda na balança comercial. Os benefícios diretos e indiretos são muitos e por si só já justificariam a produção de vários textos sobre o tema.

    Apesar de tudo, tenho duas considerações no cálculo. A primeira é que faltou a evolução do minério de ferro no período entre a privatização e 2003. Sei que o motivo foi a ausência de dados, mas essa informação poderia diminuir o peso da privatização. A segunda é que a Vale é importante no peso da Bovespa e o cálculo do Brasil com a Austrália em termos de bolsa de valores deveria retirar o peso da Vale no período porque o crescimento dela gera grande impacto no índice Bovespa, mas isso é muito complicado porque temos uma grande influência indireta das grandes empresas em outras que fazem parte dos índices de bolsas de valores. A primeira consideração deveria diminuir o peso da privatização e a segunda ampliar esse peso. Feitas as considerações, acho que o trabalho está muito bom e as conclusões são positivas para todos: povo brasileiro, acionistas da Vale, China, funcionário da Vale, etc.

    Refletindo sobre o tema e lendo o texto, pensei em uma sugestão para um novo texto. Sugiro que seja realizado um trabalho semelhante com a Petrobrás, outro gigante brasileiro, porque ela não foi privatizada e poderíamos observar as distinções entre a Vale e a Petrobrás no período. Sugiro que o cálculo da Petrobrás siga a mesma metodologia. Minha intenção é apenas ampliar o escopo da pesquisa, verificando como uma grande estatal aproveitou o mesmo período, embora tenha mantido sua organização pública. Não se trata de usar a Petrobrás como “exercício contra-factual” literal.

    Parabéns a todos os envolvidos neste projeto,
    Alfredo Américo
    Mestre em Automação e Sistemas (UnB)
    Engenheiro de Controle e Automação (UnB)

  • Muito obrigados pelos comentários.

    Alfredo:

    Note que a Vale e a Tinto estiveram igualmente expostas à evolução do preço do minério. Portanto, tal efeito não deve afetar de maneira significativa a diferença dos retornos.

    Quanto ao segundo ponto, note que o mesmo é verdade no que diz respeito ao efeito da Tinto sobre o Aus (i.e., o crescimento da Tinto deve ter tido um efeito não trivial sobre a Aus).. Portanto, não é óbvio que, nessa dimensão e conforme sugerido por seu segundo ponto, nosso cômputo tenda a subestimar o efieito toltal.

    Abraços e obrigados,

    Vinicius e João

    • Caros Vinícius e João,

      Compreendi as colocações quanto ao comentário. Realmente, meu segundo ponto é extremamente e sua consideração está feita na verificação dos mercados de forma suficiente para o objetivo do texto.

      O texto não deixa dúvidas do excelente retorno da privatização para a empresa e para o Brasil. Mais uma vez, parabéns pelo trabalho e obrigado pelo retorno.

      Abraços,
      Alfredo Américo

  • Muito boa a análise. Só pelo fato de tirar a possibilidade de ingerência política numa empresa já é um fato a se comomorar, a sanha dos políticos em se apropriar das estatais é algo que leva o país a andar pra trás. Não há como negar os benefícios da privatização da Vale para o país, somente aqueles que são levados apenas pela ideologia podem negar tal fato.

  • Foi a maior burrice privatizar nossas grandes empresas. Veja só, se a Vale e outras companhias continuassem sendo do governo, a rentabilidade dessas empresas dariam para pagar a dívida externa,construir mais empregos e ajudar nosso país a alcançar o1° mundo.Agora depois dessas empresas serem vendidas como era nacional era de todos nós,quando ela foi vendida não recebi nada,não sei se você recebeu,pois FHC te garanto que encheu os bolsos. Para pagar a dívida não precisava vender nossas empresas, pois se cada brasileiro desse 5 reais pagaria nossa dívida,o Sílvio Santos também já havia pensado em pagar. Por não seria necessario vender nossas ações. O dinheiro dessas ações poderia o governo federal estar recebendo para formar novos empregos. Aguardo resposta.

    • Por todos os ângulos de analise, sempre chegaremos a conclusão que a Vale privatizada é substancialmente melhor para o Brasil. O resto é cegueira ideológica. Os números esmagam qualquer argumento esquerdista.

      • Quando falamos de empresas multinacionais, não é válida a máxima de que o que é bom para a empresa também será bom para o país. Em muitos casos, há evasão de divisas e empregos. A mepresa lucra horrores mundo afora, mas o retorno financeiro para o país nem sempre segue a mesma lucartividade. Quanto à privatização, nada contra, exceto quando o dinheiro utilizado na compra é dinheiro público, como foi o caso de algumas Teles, por exemplo.
        O exposto acima não deixa dúvidas (pelo menos aos leigos como eu) de que a privatização foi benéfica. Entretanto, a administração privada nem sempre é eficiente. Temos aí a Enron, a GM e vários bancos privados para nos alertar que cada caso é um caso.

  • Eu sempre procuro contradizer as pessoas com argumentos e procuro fazer isso refutando seus argumentos. Mas nesse comentário do Gilberto não há nenhum argumento…

    Nunca vi tanta ignorância junta! Pobre vítima da ideologização socialista…

    • Meu amigo prefiro estar ao lado do Gilberto do que ao seu lado que para emitir sua opinião precisa de utilizar de meios chulos ou palavrões. Realmente é muito inteligente o ser que acredita que vender uma empresa dona de recursos minerais imensos, recurso mineral este que uma vez extraído se finda apenas para encher o bolso de alguns.Não se trata de ideologia, trata-se de sobrevivência, afinal onde impera a ignorância, governam os espertos.

  • Já vi muitas defesas da privatização da vale mas essa certamente é inovadora. Meus parabéns pela criatividade em esconder a dimensão política atrás de um suposto cálculo matemático.

    É especialmente criativa por “calcular” elementos distintos, que chega a seu ápice no ponto 5 onde o autor consegue subtrair proporções distintas (“diferença residual” do crescimento da vale menos valorização do ibovespa) o que é um total absurdo.

    Ademais considera as jazidas em abstrato, como se fossem iguais no Brasil e na Austrália, assim como a disponibilidade de carvão vegetal.

    Em suma, uma peça primorosa de ideologia.

  • Hummm…Poderia fazer esse tipo de análise para a Petrobrás c/ uma empresa privada equivalente?

    Obrigado!

  • Hummm…Poderia fazer a mesma análise da Vale do Rio Doce e da Rio Tinto no período desde a sua criação(da Vale) até a privatização(1997)??? Preciso tirar uma dúvida.

    Também em 1997, quando a Vale foi privatizada, quais eram os valores da Rio Tinto e da Vale, respectivamente?

    Obrigado!

  • Os srs. podem fazer todos os cálculos do mundo para tentar justificar essa privatização, mas o problema não é esse. O que os srs. tem de tentar justificar é o preço pela qual ela foi vendida e o real valor do patrimônio total da mesma. E isso nem com mágica os srs. não explicarão.

  • Uma coisa é vender a Vale, outra muito diferente é dar ela de presente. Ela foi vendida por um trinta avos (1/30) do valor de mercado na época. O sr. Ricardo Sérgio, tesoureiro das campanhas tucanas, recebeu 15 milhões para fazer a PREVI apoiar o grupo comprador. Sabe-se lá quem mais ganhou com isso. Em um trimestre essa empresa lucra 3 vezes mais do que o valor pelo qual ela foi vendida.
    Conlusão: a privatização valeu a pena para a empresa, mas da forma que foi feita, definitivamente não valeu a pena para o Brasil.

    • Para completar: o texto está muito bem escrito mas parte de uma premissa totalmente equivocada. A privatização (venda) é melhor ou pior conforme for o valor, maior ou menor, da venda. Você não diz que valeu a pena vender o seu carro ou a sua casa porque a pessoa que o comprou está fazendo melhor uso do que você fazia. Valeu a pena porque você vendeu bem, por um preço justo. A venda da vale não valeu a pena.

      • Concordo com Arnaldo Santos que o texto tá bem escrito, mas a privatização da vale começou errada e não foi um preço justo. O autor também esqueceu de falar em valores. A Vale foi avaliada de maneira absurda. O que a Vale viria a ser ninguém sabia, mas o que ela era e quanto valia sim. Em matéria da Folha de São Paulo de 3 de fevereiro de 97: “Nova jazida da Vale possui 500 t de ouro”. Bom, a matéria fala que só a descoberta da nova jazida de ouro, mais o ouro que já tinha, elevou o valor em 12 bilhoes (segundo valor do ouro na época, pouco mais de 11 reais o grama) e desconsiderando que hoje a Vale é a maior produtora de minério de ferro do mundo e a segunda em diversificados, ou seja, não produzia unicamente ouro e sim uma dezena de outros minérios. SÓ DE OURO TINHA 12 BILHÕES (quase 4 vezes o valor que foi vendida, 3,3 bi). Em 2008 foi avaliada em 198 bilhões.
        Quanto vale uma garrafa de vidro vazia? 1 real, 2 reais? Pois foi o equivalende a vender uma garrafa de whisky 12 anos pelo valor da vidro.

  • A venda da Vale valeu à pena sim. E para entender isso basta ler o parágrafo final. Se quiser, pode ainda adicionar o fato de que a empresa fica livre de ingerência política, de resultados sobejamente conhecidos. Ou ainda perceber que ela hoje emprega muito mais gente e produz muito mais. Dava até para continuar, mas já está bom.

  • O que não resta dúvida? A privatização ou uma mudança de administração?
    O que de fato ocorreu foi uma melhoria na administração. Há uma série de exemplos de empresas estatais bem administradas. Como também exemplos de empresas que sofreram interferência política e ficaram ruins. no entanto se pesquisar bem pode encontrar que Tais ingerências foram propositais pra diminuir o valor da empresa pra que a mesma fosse vendida. E veja bem este tipo de coisa não acontece só em empresas públicas, ocorre em privadas. Nokia, Com, etc, temos inúmeros exemplos deste tipo de jogada nas empresas de capital aberto.

    A pergunta do artigo deveria ser “Poderia a Vale do Rio Doce, ter melhorado sua eficiência sem ter sido privatizada? “. Minha resposta absoluta é SIM. O como isso seria possível, bons estrategistas e bons administradores aqui saberiam responder.

  • A comparação só pode ser feita contando com o crescimento que ela gerou para o país, e só considerando os recursos que ficaram no país!! Já que se ela fosse estatal, qualquer crescimento no faturamento ficaria dentro do país!! Fora isto, poderíamos comparar o número de empregados, os valores dos salários (valorização dos profissionais), e compará-la com empresas que se mantiveram estatais até então (como forma de avaliação das mudanças nas políticas como o Plano Real, etc!!). Outra pesquisa que poderia ser feita é com os empregados, saber se estão contentes com as “melhorias” na administração, saber dos que entraram nos PDVs e dos que foram demitidos depois da privatização, perguntar para os que já trabalhavam na empresa e ainda trabalham o que melhorou ou piorou e comparar os salários com os salários que estariam recebendo se a empresa fosse estatal!!! Feitas todas as comparações, poderíamos começar a conversar até sobre as questões mercadológicas!! Visto que as qualidades de minérios têm diferenças entre si!! E podem ser vendidas a preços maiores e menores!! E aí estaríamos entrando em uma área mais tecnicamente complicada e específica, mas que se explicada por engenheiros seria de fácil entendimento e acabaria ficando tão fácil quanto a lei da demanda-oferta [mesmo esta lei sendo uma lei de "mundo ideal" com variáveis isoladas, o que já compromete o estudo!]. A comparação simplesmente feita com dados de mercado ficaria truncada, já que recursos de uma empresa estatal podem ser investidos em outros setores públicos (é lógico que com resguardada contrapartida, o que não acontece por exemplo com a previdência [que paga desde reformas em refinarias a agências do Banco do Brasil sem que isto seja registrado em favor da previdência! E lógico o dinheiro não é devoldido!! E assim é lógico que vai acontecer o déficit previdenciário!!! PQ se não houve registro não existe contrapartida e então a previdência paga o pato!! O que, a meu ver, constitui quase uma fraude!!]). Além disso, a Vale não está pagando tanto imposto e então vem a pergunta que veio já na época da privatização: Como o representante do Estado espera ganhar os recursos que ganhava administrando a Vale?? A resposta já foi dada “mal e porcamente” como diriam os mais velhos!! Mas eu diria que ela ainda não foi dada!! Pq a resposta honesta que esperamos está muito longe de acontecer!!
    Além disso sou obrigado a concordar com o Arnaldo Santos acima: “Você não diz que valeu a pena vender o seu carro ou a sua casa porque a pessoa que o comprou está fazendo melhor uso do que você fazia!” E o preço pelo qual a Vale foi vendida foi realmente baixo!! A empresa foi avaliada com o valor de 92 bilhões (preço já suspeito, já que a produção anual já era o equivalente a mais de 500 toneladas de ouro!), como foi vendida pouco mais da metade o preço deveria ser por volta de 40, 50 bilhões e não 3,3 bilhões e ainda por cima financiados com o dinheiro público!!! Não tem quem me convença que isto na verdade foi uma DOAÇÃO!!

  • O problema é que foi vendida “a preco de banana” e junto com ela foi boa parte das nossas reservas de minerio de ferro que valem muito mais do que a empresa gerou em impostos nestes anos, acho que no final acabamos recebendo muito menos acabaou sendo muito melhor negocio pra quem comprou.

  • Mas se pensarmos tb que a administração política é corrupta e incompetente e a empresa nao faria avancos sob tal administração, estaraia certamente estagnada e jamais atingiria os mesmos resultados que atinge hoje, então valeu a pena mesmo.

  • Em duas das estatais como vale e empresa de comunicação, eu considero o melhor resultado, A exemplo da companhia de comunicação hoje até as crianças tem um celular, antes só os ricos podia ter,pois era caríssimo.

  • Vinicius,

    E se considerássemos que o valor da compra efetuada pelo “setor privado” fosse de 98 bilhões (valor da avaliação mínima) e não os 3,3 bilhões pagos, quais seriam os rendimentos?

  • Faltou explicar que o nosso minério, no caso o da Vale é o melhor minério de ferro do mundo baixo teor de Silício e Fósforo, usado para melhorar um monte de minério porcaria de segunda qualidade. Mas não é só esta a questão, a principal é que devemos limitar e reduzir as exportações de minério de ferro de a 1/3 do atual. estamos destruindo o patrimônio e uma nação e dos nossos descendentes para enriquecer a um bando de estrangeiros. ESTA PRIVATIZAÇÃO FOI VERGONHOSA, UM CRIME QUE DEVIA MANCHAR ESTE PARTIDO E O PRESIDENTE DA EPÓCA. Mas ao invés disto vemos elogios ao maior roubo da história desta nação. Pena muita pena que eu não poderei ver quando a população do MEU PAÍS, perceber e se der conta do dano que lhe fizeram. Minério não é produzido, e uma vez extraído não estará mais lá para ser utilizado. A todos meu sincero escárnio, por compartilhar a mesma era de vocês.

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