dez
12
2011

Belo Monte deve ou não deve ser construída?

A resposta a quem examina racionalmente a questão, exclusivamente do ponto de vista dos interesses da população brasileira, é uma só: sim. Para entender o porquê, vamos examinar os questionamentos que vêm sendo urdidos em torno de Belo Monte, muitos dos quais absolutamente desconhecidos pela sociedade brasileira. Os principais são o desmatamento da Floresta Amazônica, o desalojamento dos ribeirinhos e supostos prejuízos à população indígena.

Antes, porém, é preciso estabelecer de plano uma verdade: não existe geração de energia elétrica sem impacto ambiental, o que não é diferente no caso da geração de origem hidráulica, eólica ou solar. Dito isso, vamos aos fatos. De acordo com dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), todas as hidrelétricas construídas e a construir na Amazônia – Belo Monte entre elas – ocupariam apenas 0,16% de todo o bioma amazônico, uma área de 10.500 km², algo como duas vezes o território do Distrito Federal, para se ter um elemento de comparação.

Na série de registros de desmatamentos feitos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), entre 1988 e 2010[1], o ano em que menos se desmatou a Amazônia foi o de 2010, quando se consumiu uma área de 7.000 km². Isso significa que a área total a ser ocupada pelos reservatórios de todas as usinas instaladas e potencialmente instaláveis na Amazônia brasileira é inferior à área desmatada em pouco mais de um ano! Ao que tudo indica, portanto, parece mais racional e razoável combater o desmatamento que a construção de hidrelétricas, se o objetivo for preservar a floresta.

O desalojamento de populações ribeirinhas é também um problema importante a ser examinado. Desde que conduzida adequadamente, a remoção dessas populações não deve representar problema. Na maioria dos casos, inclusive, os ribeirinhos vivem em condições miseráveis, em razão do que sua mudança para habitações dotadas de melhor padrão construtivo e sanitário significará uma melhora efetiva das suas condições de vida. Trata-se, neste caso, da remoção dos moradores atingidos pelo projeto, ação que precisa ser corretamente executada pelos empreendedores e tempestivamente fiscalizada pelo poder público.

Pedido recente do Ministério Público Federal para que o Ministério de Minas e Energia ampliasse o prazo de consulta pública do Plano Decenal de Expansão de Energia 2020 baseou-se, entre outros argumentos, no fato de que 113.502 pessoas serão afetadas pelo conjunto de empreendimentos hidrelétricos constantes do Plano, entre os quais a Usina Belo Monte.

Considerando que a energia produzida somente por Belo Monte tem potencial proporcionalmente muito maior – suficiente, por exemplo, para atender a 18 milhões de residências, ou cerca de 60 milhões de pessoas, para ficarmos somente no paralelo residencial –, não seria o caso de se avaliar, com prudência e profundidade, se o Brasil pode prescindir dessa e de outras usinas hidrelétricas apenas para não se ter que realocar, adequadamente, os ribeirinhos atingidos?

Por último, mas não menos importante, vem o tema das terras indígenas,  que são protegidas pela Constituição Federal. Mas, por mais que algumas lideranças indígenas da Amazônia estejam envolvidas na oposição a Belo Monte, o projeto não afeta qualquer reserva indígena, até porque, se assim fosse, não poderia ter sido licenciado. A Funai estava entre os órgãos ouvidos pelo Ibama para o licenciamento da usina e se manifestou favoravelmente à concessão da licença.

Examinemos agora a questão dos pontos de vista econômico e da segurança do abastecimento. A energia elétrica gerada por fonte hídrica é a de melhor relação custo-benefício existente, inclusive do ponto de vista ambiental. Ela praticamente não gera emissões de gases de efeito estufa (GEE) e oferece sub-produtos econômicos importantes: reservação de água para irrigação e consumo, piscicultura, turismo e controle da vazão dos rios, o que evita inundações a jusante das barragens.

As usinas de geração térmica, em contrapartida, não oferecem quaisquer externalidades positivas no seu processo produtivo e são, além disso, grandes emissoras de GEE. As térmicas nucleares, hoje já bastante mais seguras graças aos avanços da tecnologia, embora não sejam grandes emissoras de GEE, ainda precisam resolver o problema da disposição dos resíduos. Mesmo assim, são apontadas pelo cientista e ambientalista James Lovelock[2], criador da Teoria de Gaia, como uma alternativa melhor que as térmicas convencionais.

Examinemos a tabela a seguir, com os preços de geração de energia elétrica por fonte:

Preço de geração de energia elétrica por fonte (R$/MWh) [3]

Fonte Custo fixo CVU(R$/MWh)² Preço final
Hidrelétrica de grande porte 84,58 84,58
Eólica 99,58 99,58
Hidrelétrica de médio porte 147,46 147,46
Pequena Central Hidrelétrica 158,94 158,94
Térmica nuclear 148,79 20,13 168,92
Térmica a carvão 159,34 169,09 328,43
Térmica a biomassa 171,44 167,23 338,67
Térmica a gás natural 166,94 186,82 353,76
Térmica a óleo combustível 166,57 505,76 672,33
Térmica a óleo diesel 166,57 630,29 796,86
Solar Fotovoltaica Não disponível

Fontes: Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS)

Como se vê, os custos da geração hidrelétrica são altamente competitivos. E, neste particular, Belo Monte é especialmente competitiva: vai gerar energia elétrica a R$ 77,97/MWh, valor ainda menor que a média das hidrelétricas de grande porte.

Destaca-se na tabela acima o preço competitivo das geradoras eólicas, atualmente favorecido por uma específica combinação de fatores conjunturais, da qual constam a baixa cotação do dólar, incentivos e condições especiais de financiamento, e os efeitos da crise econômica nos Estados Unidos e na Europa, fenômeno que reduziu dramaticamente a demanda por aerogeradores e tornou o Brasil virtualmente seu único demandante mundial, reduzindo-lhes o custo a níveis bastante baixos.

A fonte eólica, em conjunto com a fotovoltaica de origem solar, é comumente citada como a solução mais responsável, do ponto de vista ecológico, para a geração de energia elétrica. Sim; é verdade que a fonte eólica é uma fonte extremamente limpa; e que, além disso, vem apresentando custos contingencialmente mais baixos. Nada a obstar, portanto, que seu uso se intensifique, mantidas as condições atuais. Mas, neste ponto, é preciso acrescentar à análise de conjunto o fator da segurança do abastecimento.

O sistema brasileiro é fundamentalmente hidrotérmico. As razões para isso são várias. Em primeiro lugar, o Brasil está em terceiro lugar entre os países que dispõem dos maiores potenciais de aproveitamento de energia hidráulica, com 10% da disponibilidade mundial. Vem atrás da China, que dispõe de 13% do total, e da Rússia, que tem 12%. Após o Brasil, vêm o Canadá, com 7%; o Congo e a Índia, com 5%, cada; e os Estados Unidos, com 4%[4]. Nenhum país deixou de usar esses potenciais, e os que puderam já o aproveitaram todo, dada a sua relação custo-benefício.

As usinas hidrelétricas possuem, em geral, reservatórios que permitem a acumulação de água durante as chuvas, para que se possa gerar energia elétrica no período da estiagem. Mas a acumulação de água nem sempre é suficiente para atender a demanda nacional por energia elétrica. Assim, são necessários recursos complementares para assegurar o abastecimento nessas ocasiões, o que é mais adequadamente proporcionado por fontes térmicas.

Embora mais cara e mais poluente, a geração térmica garante a continuidade do abastecimento: basta acionar a usina termelétrica e tem-se a energia necessária no preciso momento em que ela é demandada. Isso já não ocorre com as geradoras eólicas: o vento venta quando venta, e não quando precisamos dele. Como se vê, ainda que a fonte eólica seja limpa e barata, ao menos nas condições atuais, ela somente tem uso como fonte complementar, permitindo poupar água nos reservatórios das hidrelétricas para os períodos de estiagem.

E já que se está falando de reservatórios, há outro ponto importante a ser abordado em relação à construção de novas hidrelétricas, Belo Monte à frente. O projeto dessa usina foi alterado, de modo a reduzir a área alagada pelo reservatório, em função principalmente das fortes objeções de caráter ambiental que enfrentou desde sua origem.

Em razão disso, Belo Monte acabou por tornar-se uma usina a fio d’água, ou seja,  sem reservatório, o que contribuiu fortemente para que sua potência média tenha caído para 4.571 MW, embora ela tenha turbinas capazes de gerar uma potência total de 11.233 MW. No projeto original, Belo Monte geraria 9.600 MW, em média, para uma área inundada de 1.300 km², mais que o dobro do previsto no projeto atual (516 km²). Um reservatório maior permitiria que a usina operasse em maior escala na seca, mais que dobrando sua produção energética média. Agora, os mesmos grupos de pressão que forçaram essa alteração, acusam o projeto de ineficiência, porque só irá gerar a metade do que poderia, uma vez mantidas as condições do projeto original!

Mas a questão dos reservatórios não se restringe a Belo Monte. Em função desse tipo de pressão, outras usinas vêm sendo projetadas sem reservatórios, a fio d’água, contrariando – além do bom senso e do aproveitamento ótimo desse imenso patrimônio nacional – a Lei nº 9.074, de 1995. Isso se converteu no que foi chamado, em outra ocasião, de “política pública de fato”[5].

A Lei nº 9.074/95, em seu art. 5º, § 3º, conceitua de forma precisa aproveitamento ótimo como “todo potencial definido em sua concepção global pelo melhor eixo do barramento, arranjo físico geral, níveis d’água operativos, reservatório e potência, integrante da alternativa escolhida para divisão de quedas de uma bacia hidrográfica.”. O § 2º do mesmo artigo determina que nenhum aproveitamento hidrelétrico poderá ser licitado sem a definição do aproveitamento ótimo pelo poder concedente, no caso, a União.

O inciso 3º do art. 3º da Lei nº 9.427, de 1996, conferia à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) a atribuição de definir o “aproveitamento ótimo”, em nome da União. Contudo, esse dispositivo foi revogado pela Medida Provisória nº 144, de 11 de dezembro de 2003 (convertida na Lei nº 10.848, de 15 de março de 2004). Posteriormente, essa competência foi de novo delegada à ANEEL por meio do Decreto nº 4.970, de 30 de janeiro de 2004 (art. 1º, inciso II).

Os inventários das bacias hidrográficas podem ser feitos por quaisquer agentes privados ou pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), mediante registro junto à ANEEL, que autoriza a sua realização por despacho. Cabe, também, à Agência, como dispõe mencionado Decreto, a aprovação dos inventários realizados, o que inclui, por óbvio, a verificação do atendimento do requisito aproveitamento ótimo.

Essa “política pública de fato” precisa ser interrompida imediatamente, para evitar um dano irreversível ao patrimônio nacional. Essas decisões equivocadas, na fase de projeto, se transformam em empreendimentos que não exploram plenamente os potenciais hidrelétricos, com grave prejuízo para o País.

Para finalizar, não parece difícil concluir – se o critério de avaliação for o interesse nacional – que Belo Monte deve ser construída, e não apenas ela! Sem desprezar quaisquer outras formas de geração de energia elétrica – cuja oportunidade de uso tem que ser sempre avaliada por critérios econômicos e ambientais responsáveis –, devemos priorizar a construção de usinas hidrelétricas, de modo a manter nossa matriz de geração entre as mais limpas e mais baratas do mundo. Nesse quesito, o Brasil se mostra, uma vez mais, um país rico: seu potencial hidrelétrico inexplorado está estimado em cerca de 130 mil MW, maior que todo o parque gerador brasileiro hoje em operação, com cerca de 116.500 MW instalados.

Cabe à sociedade brasileira – sem prejuízo da questão ambiental, e a partir de informação completa e imparcial – decidir sobre a conveniência dos novos projetos hidrelétricos, porque seguirá sendo necessário obter energia barata e limpa. Precisamos dessa energia para que possamos viver com dignidade, produzir em condições competitivas e, com isso, construir um futuro melhor.

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Para saber mais sobre o tema:

Abbud, Omar e Tancredi, Márcio – Transformações Recentes na Matriz Brasileira de Geração de Energia Elétrica: Causas e Impactos Principais – Texto para Discussão nº 69, Núcleo de Estudos e Pesquisas do Senado, Senado Federal, disponível em http://www.senado.gov.br/senado/conleg/textos_discussao/TD69-OmarAbbud_MarcioTancredi.pdf

Montalvão, E.  (2011). Ambiente e energia: crença e ciência no licenciamento ambiental, parte I. Núcleo de Estudos e Pesquisa do Senado Federal, Texto para Discussão nº 93. Disponível em http://www.senado.gov.br/senado/conleg/textos_discussao/TD93-EdmundoMontalvao.pdf

Faria, I.D.  (2011). Ambiente e energia: crença e ciência no licenciamento ambiental, parte II. Núcleo de Estudos e Pesquisa do Senado Federal, Texto para Discussão nº 94. Disponível em http://www.senado.gov.br/senado/conleg/textos_discussao/TD94-IvanDutraFaria.pdf

Faria, I.D.  (2011). Ambiente e energia: crença e ciência no licenciamento ambiental, parte III. Núcleo de Estudos e Pesquisa do Senado Federal, Texto para Discussão nº 93. Disponível em http://www.senado.gov.br/senado/conleg/textos_discussao/TD99-IvanDutraFaria.pdf

Vídeo no Youtube: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=feG2ipL_pTgP


[1] http://www.obt.inpe.br/prodes/

[2] James Lovelock, Ph.D. em medicina e químico de formação, um dos precursores do movimento ambientalista mundial. Membro da Real Sociedade da Inglaterra e autor de mais de 200 artigos científicos, Lovelock registrou mais de 50 patentes, algumas das quais têm sido usadas pela NASA para a exploração planetária.

[3] Os custos fixos de geração da tabela são preços médios dos Leilões de Energia Nova do período de 2005 a 2010, com exceção do custo da energia eólica, que é o valor alcançado no Leilão de 17/08/2011, primeiro leilão de que participaram as eólicas.

O custo fixo de geração de térmica nuclear é o valor da tarifa estabelecida pela ANEEL para as Usinas Angra I e II em revisão feita em novembro de 2011.

Os valores de CVU (custo variável de geração quando a térmica é chamada a gerar) são médias dos custos variáveis das térmicas utilizados pelo ONS para elaboração da Revisão 3 do Plano Mensal de Operação do mês de setembro de 2011(semana operativa de 17 a 23/09/2011).

[4] Atlas de Energia Elétrica do Brasil, 3ª. ed., 2008, Agência Nacional de Energia Elétrica.

[5] Abbud, Omar e Tancredi, Márcio – Transformações Recentes na Matriz Brasileira de Geração de Energia Elétrica: Causas e Impactos Principais – Texto para Discussão nº 69, Núcleo de Estudos e Pesquisas do Senado, Senado Federal, disponível em http://www.senado.gov.br/senado/conleg/textos_discussao/TD69-OmarAbbud_MarcioTancredi.pdf

Sobre o Autor:

Omar Abbud

Jornalista, consultor legislativo do Senado, ex-chefe de gabinete do Diretor-Geral e ex-superintendente de Comunicação Social da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

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29 Comentários Comentar

  • Não tinha formado um juízo sobre o tema e, após ler o excelente artigo, tendo a concordar com o autor. No entanto, creio que o autor deveria falar dos custos da transmissão de Belo Monte.

    Nenhuma alternativa é neutra em termos de custo com distribuição. Porém, sendo Belo Monte uma usina de grande porte e considerando sua localização, seu baixo custo de produção deve implicar em elevado custo para chegar às regiões de consumo. Além disso, devem ser também considerados os impactos ambientais decorrentes dos linhões de transmissão que muito dificilmente deixarão de passar por territórios indígenas (não por aldeias) e exigirão desmatamento no entorno das torres.

    Nesse sentido, pequenas usinas, localizadas mais próximas das regiões de consumo, não teriam um impacto efetivo menor?

    • Caro Nilson,

      é verdade: gerar energia perto dos centros de consumo é sempre melhor e mais barato. Contudo, hoje praticamente só temos hidrelétricas a construir ainda na Amazônia. E, de qualquer modo, esses custos impactariam também a geração eólica se ela estivesse longe, como as hidrelétricas da Amazônia. Mas, tudo somado, a energia de fonte hidrelétrica ainda é mais barata que a térmica, especialmente as térmicas a óleo.
      Os linhões sempre provocarão impactos para transportar energia dado o fato de que o nosso sistema é um sistema interligado, que cobre quase todo o território nacional. Falta cobrir a Amazônia, na medida das necessidades, o que já começou a ser feito, Assim, a energia de qualquer fonte, gerada em qualquer parte do País, é injetada no sistema e distribuída para todo o território nacional, de modo que o gaúcho pode consumir energia de Tucuruí, no Pará, e o recifense pode usar energia das usinas do Rio Grande do Sul, dependendo da disponibilidade de água nos reservatórios e da geração pela lógica de menor preço: geram primeiro as usinas mais baratas, no caso as hidrelétricas.
      Obrigado pela oportunidade de falar sobre isso, Nilson.

      Omar

  • Mestre na arte de escrever um artigo tão bem fundamentado, Parabéns!

  • É de se pensar realmente. Foi como eu disse em meu Facebook (mas ninguém compartilha, porque é mais fácil apoiar o que todo mundo apoia):

    http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,desmatamento-na-amazonia-cai-11-e-atinge-menor-taxa-em-24-anos,807093,0.htm

    Cadê campanhas contra o desmatamento em si?

    “Entre agosto de 2010 e julho de 2011, a Amazônia perdeu 6.238 quilômetros quadrados (km²) de floresta. É a menor taxa anual de desmate registrada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), desde o início do levantamento, em 1988.”

    Isso que é algo bom hein? Um avanço.
    Desmatamento por madeira, etc. Nada que trouxe de fato benefício aos brasileiros.

    Belo Monte: 516 km². A maior usina hidrelétrica, que gera energia limpa. Para os problemas de energia do País cessarem a longo prazo.

    Não é de se pensar?

    • Realmente Viviam, é de se pensar.

  • Escritor só pode ser do governo. OMAR: Núcleo de Estudos e Pesquisas do Senado, Senado Federal. Quem confia? CUIDADO!!!! Ele escreve:

    O desalojamento de populações ribeirinhas é também um problema importante a ser examinado. Desde que conduzida adequadamente, a remoção dessas populações não deve representar problema. Na maioria dos casos, inclusive, os ribeirinhos vivem em condições miseráveis, em razão do que sua mudança para habitações dotadas de melhor padrão construtivo e sanitário significará uma melhora efetiva das suas condições de vida. Trata-se, neste caso, da remoção dos moradores atingidos pelo projeto, ação que precisa ser corretamente executada pelos empreendedores e tempestivamente fiscalizada pelo poder público.

    “ Desde que conduzida adequadamente “ Ai está o problema. A onde está o planejamento da remoção dos moradores e índios?

    ……..” ação que precisa ser corretamente executada pelos empreendedores e tempestivamente fiscalizada pelo poder público” . Assim que isso acontecer eu assino que sou a favor de belo Monte. Mas não acredito que isso vai acontecer…………..

    Ricardo Dijkstra

    • Sabe quem vai fiscalizar isso? O deputado que você votou nas eleições de 2010… Você se lembra dele?

  • Gostei do artigo, mas todos que escrevem sobre o tema pecam em um aspecto: a análise da cadeia produtiva para construção das usinas, sejam elas de qualquer tipo. Há de se considerar que todas as formas de geração de energia dependem de mineradoras, siderúrgicas e fábricas de cimento, setores altamente poluentes sob vários aspectos, pois qualquer que seja a forma de construção, usar-se-á aço e cimento em grande quantidade. Todas demandam uso de combustíveis fósseis durante sua construção, afinal os caminhões e tratores são movidos a diesel. Nunca vi um estudo que tratasse este tema, se alguém conhece algum e puder me indicar, ficarei imensamente agradecido.

  • Fico feliz com a soma de empregos e subempregos que serão gerados.

  • Muito bom artigo!

    Parabéns pela apresentação de números reais e muito coerentes quando apresentados juntos.

    Para responder ao questionamento do último parágrafo basta saber se a sociedade brasileira quer tomar banho quente, usar computadores, tomar cerveja em lata (gelada), andar de carro nacional, usar ar condicionado, ter crescimento econômico, gerar riquezas, etc.

    Não conheço ninguém que queira viver sem estes “confortos” que demandam nada mais do que energia.

    Uma pequena sugestão, que não muda em nada o sentido nem mesmo o entendimento do artigo, a unidade, no segundo parágrafo “…uma área de 10.500 km…” deveria ser “…uma área de 10.500 km²…”

    Saudações,

    Pedro Franarin Alves

  • A CONSTRUÇÃO DESTA HIDRELÉTRICA É A MELHOR COISA PARA ESTE ESTADO, CERTAMENTE POR UM PEQUENO ESPAÇO DE TEMPO IRÁ GERAR ALGUNS EMPREGOS NA REGIÃO DE ALTAMIRA, PENA QUE ISSO NÃO IRÁ MUDAR MUITA COISA POR LÁ, POIS O GOVERNO DESTE NOSSO ESTADO É MUITO FRACO, SENDO QUE PODE CAIR DEZENAS DE MILHARES DE REAIS EM SUAS MÃOS E AINDA ASSIM NADA MUDARÁ POR AQUI, POR OUTRO LADO SERÁ UM PRATO CHEIO PARA ELE SIMÃO JATENE POIS ELE GOSTA DE PESCAR, PENA QUE É JUSTAMENTE ENQUANTO ELE ESTÁ PESCANDO QUE MORREM DEZENAS DE PARAENSES NAS FILAS DOS HOSPITAIS POR AQUI.

  • A CONSTRUÇÃO DESTA HIDRELÉTRICA É A MELHOR COISA PARA ESTE ESTADO, CERTAMENTE POR UM PEQUENO ESPAÇO DE TEMPO IRÁ GERAR ALGUNS EMPREGOS NA REGIÃO DE ALTAMIRA, PENA QUE ISSO NÃO IRÁ MUDAR MUITA COISA POR LÁ, POIS O GOVERNO DESTE NOSSO ESTADO É MUITO FRACO, SENDO QUE PODE CAIR DEZENAS DE MILHARES DE REAIS EM SUAS MÃOS E AINDA ASSIM NADA MUDARÁ POR AQUI, POR OUTRO LADO SERÁ UM PRATO CHEIO PARA ELE SIMÃO JATENE POIS ELE GOSTA DE PESCAR, PENA QUE É JUSTAMENTE ENQUANTO ELE ESTÁ PESCANDO QUE MORREM DEZENAS DE PARAENSES NAS FILAS DOS HOSPITAIS POR AQUI.MORO EM XINGUARA-CA NO ESTADO DE CARAJÁS

  • […] Leia o artigo completo aqui. Categorias > Artigos de Belo Monte Belo Monte […]

  • Prezado Omar, boa tarde.
    Gostaria de publicar o seu artigo em uma revista online produzida pela assessoria de imprensa onde trabalho. É possível?
    Por favor, entre em contato e passo mais detalhes.
    Muito obrigada.
    Renata.

    • Renata por favor me mande email com informações sobre a revista. Não vejo problemas, mas gostaria antes de saber onde será publicado e gostaria também que fizesse menção ao site onde foi publicado originalmente o artigo. Alias, o site acaba de ganhar um prêmio de júri popular do Top Blog 2011. Meu email e omarabbud@gmail.com.
      Obrigado pelo interesse.
      Omar

  • Nao havia ainda lido ou me preocupado a fundo sobre o tema, mas já sabia que a construção seria um tema de discusao assídua entre os brasileiros. É fato que teremos impactos ambientais, mas o que nao terá?! Se formos pensar assim, sem analisar o custo benefício que o projeto pode trazer, podemos esquecer de quaisquer tipo de avanço e crescimento para o país. Toda forma de melhoria tecnológica e de recursos é válida, obviamente após avaliar as condições e impactos causados. O problema que realmente existe é o desmatamento para fins particulares, ou que nao contribuem em quase nada para a população brasileira, aqueles em que a vida das árvores sao gastas em vão.. A usina deve sim ser construída para mantermos um crescimento linear para o país. Proibir isto seria um retrocesso em relação ao futuro desenvolvimento urbano do país!

  • Prezado, você destacou algo com o queme preocupo muitíssimo, mais que este briga tola dos que se opõe ao projeto! Queria que fosse executado o projeto Kararao de 9600 MW! Acho um absurdo provocarmos um dano sem explorar o potencial máximo! Nos afundamos a sete quedas (que vamos falar a verdade nem era grande coisa) mas fizemos com o paraguaios a maior usina do mundo! Vamos gastar a mesma coisa para fazer uma usina se 4000MW quando podíamos fazer de media 9000 MW! Isto sim para mim eh um crime não aproveitar o potencial ótimo! E duplicar a solução de um problema que eh a falta de energia! Como sou uma voz isolada quando defendo o máximo sempre, fiquei feliz em ver que alguém aborda este ponto e que o Senado devia pressionar o Governo e demais órgãos a aproveitar o maximo! Senão der em belo monte, pelo menos nas demais, destruir natureza não eh nem será coisa boa, que pelo menos seja para fazer coisa boa ótima e não esta literalmente meia-boca (infelizmente)! Parabenizo-o pelo artigo!

    • Caro Clayton,

      Estamos concluindo novo artigo sobre o tema que será publicado até o fim de abril na página do Núcleo de Estudos e Pesquisas do Senado, em
      http://www.senado.gov.br/senado/conleg/textos_discussao.htm.
      Acho que você vai gostar, porque estamos indo mais fundo nessa questão, tratando do aproveitamento ótimo do potencial hídrico nacional.
      Um abraço e obrigado pelo comentário que, desculpe, demorei muto a ver.

      Omar

  • Post bastante informativo. O que destacaria antes de tudo seria a participaçao efetiva da comunidade envolvida diretamente com o projeto. Plebiscito estadual para mim teria que ser obrigatório.

    • Caro Marco,

      Os potenciais de energia hidráulica são patrimônio da União (logo, de todos os brasileiros), de acordo com o inciso VIII do art. 20 da Constituição Federal. Assim, por mais democrático que possa parecer, a consulta à população do Estado ou das regiões afetadas, nos moldes que você sugere, não faria sentido, já que esses potenciais são de interesse de todos os brasileiros. Assim, não seria razoável que apenas alguns brasileiros decidissem sobre a realização ou não do empreendimento. Essa decisão cabe ao Governo Federal, em nome de toda a população brasileira, como manda a Constituição.

      No entanto, as populações diretamente afetadas não apenas são ouvidas em audiências públicas, como são beneficiadas pela Contribuição Financeira pela Utilização de Recursos Hídricos, paga pelo concessionário da usina ao Estado e aos Municípios diretamente atingidos pelo empreendimento, quando a usina entra em operação. É algo similar aos royalties do petróleo, uma compensação pela construção da hidrelétrica.

      Obrigado pela oportunidade de abordar esse assunto.

  • Caro Omar, Esta matéria sobre Belo Monte é muita oportuna, haja vista que as abordagens as quais são tratadas em várias reportagens jornalístiacas tentam dizer o contrário do que você está sugerindo, ou seja, nós lemos muitas reportagens sobre Belo Monte, tanto na mídia local e até internacional dando conta que haverá muitos impactos ambientais para uma pequena geraçã de energia, que não compensaria tal investimento.
    Porém, percebo que você tem muito conhecimento sobre o assunto. Muito mais que as pessoas leigas, inclusive da mídia, das ongs, e do cineasta Cameron, o qual manifestara contra esse projeto,por ocasião de sua vinda ao Brasil no ano passado.
    Agora, eu como amazônida, nascido neste grande Pará, gostaria de fazer algumas ponderações sobre o assunto, com base na sua exposição, e de algumas pessoas que fizeram alguns adendos:
    -Esse negócio de plebiscito ou algo que se queira fazer para que a população local acorde ou não é um ledo engado. Prova disto é o último Plebiscito sobre a Divisão do Pará, onde de forma equivocada votaram-se contra aos futuros Estados de Carajás e Tapajós. Eu entendo que o Congresso Nacional está aí é justamente para resolver grandes problemas e questionamentos que a Nação precisa.Alguns assuntos, como uma divisão territorial é questão de estratégia de país, e precisa ser encarado como tal pelos Poderes Executivos e Legislativos deste país. Senão, daqui a pouco este Congresso que já é lento e absoleto encaminhará todos processos via Plebiscito, e lavará aos mãos para grandes e complexos assuntos;
    – Os grandes empreendimentos instalados na Amazônia, em especial no Estado do Pará vêm na forma de grandes impactos também, tanto no âmbito econômico(positivo) como ambiental(negativos). Mas entendemos que quaisquer projetos têm impactos ambientais, sendo alguns com baixos e outros com grandes impactos, e temos que analisar se de fato esses impactos são tão relavantes assim, neste caso de Belo Monte. Pelo que você diz nesta matéria e com conhecimento profundo, é que compensa e muito tal investimento. Eu pessoalmente acredito, e sempre acreditei que compensaria sim;
    Agora, quando se referem aos grandes investimentos amazônicos, como a Hidrelétrica de Tucuruí, como o Projeto Grande Carajás e outros que neste momentos estão sendo implementados têm um problema em comum: o Governo( Federal) esquece, as grandes empresas faz de conta, os renomados economistas apenas analisam, e a sociedade brasileira sequer conhecece que é o maior de todos os problemas que é O SOCIAL, pois todos esses projetos vieram associados a um grande problema SOCIAL no Estado do Pará, em especial. Problemas de toda ordem: favelas nas cidades de Tucuruí, Marabá,Altamira,etc a perder de vista; grandes impactos sobre a floresta amazônica; falta de escola; saúde precaríssica, etc.etc.etc.,em face da uma demanda de migrantes de TODAS AS REGIÕES DO PAÍS para estas regiões de Carajás e Tapajós. Se um empreendimeno deste gera,por exemplo, 5.000 empregos para lá vão 15.000 pessoas ou mais, impactando as cidades,com periféria transbordando de gente, cujas pessoas não têm a mínima condições de vida, totalmente abandonadas, parecendo mais um país pobre africano que uma região rica.Ou seja, as regiões são riquíssimas, porém, como contraditório, 90% da população são palpérrimas.

    Será que esse modelo de crescimento e de fortalecimento da amazônia, combinado com a formação de estoque de energia e de outras riquezas desta região para o nosso país ,não podem ser associados a um desenvolvimento regional? Será que todos os projetos implantados aqui tendem sempre a aumentar as desigualdades sociais, em vez de aumento da qualidade de vida? Em qualquerr lugar da região Sul e Sudeste do País, grandes projetos vêm ao encontro de grandes ganhos de desenvolvimentos e de qualidade de vida. Por quê os projetos na AMAZÔNIA não associam CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO REGIONAL E SOCIAL?
    George Leyte

  • Caro Omar, sua análise é institucionalista. Respeito seu ponto de vista. Mas ele nao é geral para ser a única verdade.Como voce bem sabe, a nossa constituiçao representou o interesse do centrao e foi feita nas coxas,segundo os coxantes FHC e o grandao gaucho que foi chutado do Ministerio das Forças armadas e humilhadas – devidamente e ainda falta muito para a devida reparaçao .
    Um abraço

    Marco Bittencourt

  • Caro George,

    Obrigado pelos seus comentários. Concordo em praticamente tudo com você. Gostaria só de comentar que os problemas que você aponta não são problemas apenas de localidades onde há grandes projetos, embora eles possam ser mais agudos nesses lugares. Eles são problemas de quase todo o País, onde as autoridades negligenciam seus deveres para com a população, principalmente aquela menos favorecida. Precisamos, em todas as instâncias de governo, maia ação, mais competência e mais vontade de resolver os problemas que afligem a nossa população.

    Um abraço,

    Omar

  • TEM MAIS É QUE CONSTRUIR, HÁ O DESENVOLVIMENTO PRECISA ACONTECER. E TODO MUNDO IRÁ SE DAR BEM, K K K K K K K K K K

  • Como se vê, os custos da geração hidrelétrica são altamente competitivos. E, neste particular, Belo Monte é especialmente competitiva: vai gerar energia elétrica a R$ 77,97/MWh, valor ainda menor que a média das hidrelétricas de grande porte.

    Será mesmo?

    Neste mesmo site (http://www.brasil-economia-governo.org.br/2011/12/07/por-que-o-modelo-de-concessoes-de-rodovias-federais-no-brasil-nao-esta-apresentando-bons-resultados/), sobre a capacidade institucional do governo federal brasileiro, em especial considerando a influência naquele ministério de elementos políticos extrâneos ao Poder Executivo federal.

    “E se o governo tentar fazer valer o que está no edital/contrato, ao preço do serviço definido no leilão, o concessionário provavelmente alegará o desequilíbrio econômico-financeiro da concessão. E a alegação é, ainda por cima, verdadeira. Só não é uma novidade: desde o leilão o concessionário já sabia que havia um desequilíbrio, mas estava certo que conseguiria renegociar, um típico comportamento oportunista.”

    “Dada a assimetria de informação existente entre regulador e regulado, é difícil muitas vezes saber, no momento do leilão, se o lance vencedor embute um valor irrealista, fruto de comportamento oportunista”

    Eu não apostaria o meu dinheiro que a usina vai ser construída pelo preço que o consórcio estimou, nem que a energia será fornecida de forma regular pelo preço acertado. O articulista parece ter uma maior confiança do que a minha na capacidade institucional do Ministério das Minas e Energia do que esta comentarista,

    • Cara Ana,

      Concordo com você, só que o paralelo não é válido.
      A energia de Belo Monte terá que ser entregue a R$ 77,97/MWh.
      Sugiro que você pesquise se o valor de fornecimento das usinas concedidas que entraram em operação recentemente não é o valor de leilão.
      Os sites da Aneel ou da CCEE podem ser boas fontes para isso.
      Abraço e obrigado pelo comentário.

      Omar

  • Fiquei impressionado com o artigo, e com a objetividade, estava a procura de informações para poder fazer uma pequena reportagem.E achei poucos lugares que são neutros!
    Obrigado!

  • Belo monte apenas sairá do papel por insistencia e subsídios do governo federal, ou seja, quem pagará a conta é o contribuinte. Além do mais, está sendo construída um usina de fio d’agua, ou seja com uma pequena reserva, o que irá diminuir a capacidade de gerar energia, além do fato de não produzir o ano inteiro. Quando uma hidroelétrica para, tem de ser acionada uma outra usina de fonte confiável, a saber termica a gas ou a óleo. Daí vc pensa, ok mas isso apenas qd ela eh desligada. Correto, mas vc tem na verdade de construir essas usinas de reserva, que ficam subutilizadas, apenas para garantir fornecimento na época de estiagem, ou seja são dois investimentos. Por último, estão construindo essas usinas longe dos centros consumidores, e dada a resistencia do cobre utilizado nas linhas de transmissão grande parte se perde no caminho, além de ser pago valores muito alto de TUST e TUSD que são as tarifas por utilizar as redes de transmissão (como se fosse o pedágio de uma rodovia). Agora esclarecido alguns pontos, porque vcs acham que os outros países tentam não depender da energia hidroeletrica e muito menos depender de fontes que estão longe dos consumidores.

  • Vê-se claramente a grande preocupação em se defender o governo numa ação que visa apenas como sempre interesses expúrios, não se respeitando os reais interesses populares… é energia o que se quer, não ha em nosso pais muito embora em vários paises no mundo a exploração da energia aeólica seja uma realidade, aqui nem se comenta a ´possibilidade’,apenas se expôe valores de custos mascarados. Energia solar, o que dizer, somos um pais solar, temos 12 meses por ano de SOL e Ventos. Banhados pelo mar numa extenção de 7,408 km, sabiam que tambem se pode gerar energia limpa, sem poluição, destruição, desalojamento de ribeirinhos ou indigenas, desmatamento ou inundação de áreas onde tanta espécies de fauna e flora serão destruidos.
    Quem sou eu, um joão ninguem que aprendeu em casa a ter vergonha na cara e ser critico( ou seja: ((Me dou a trabalho de perguntar e ir atraz para pesquisar e saber a verdade))

    Quando mais brasileiros se tornarem tambem críticos e não apenas sairem repetindo o que manipuladores da verdade falaram, talvez tenhamos alguma chance de vivermos melhor , talvez aprenda-mos a respeitar os que serão ofendidos.

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